Rio de Janeiro, 14 de Maio de 2026

Ibrahim Ferrer morre aos 78 anos

Domingo, 07 de Agosto de 2005 às 19:22, por: CdB

Ibrahim Ferrer, o cantor do Buena Vista Social Club, grupo que o levou de engraxate a celebridade musical mundial no final de sua vida, morreu no sábado em Havana, aos 78 anos.

Seu empresário, Daniel Florestan, informou que o cantor ganhador do Grammy, que se tornou figura conhecida com sua boina e seu bigode grisalho, voltou na quarta-feira de uma turnê européia já doente e morreu de falência múltipla de órgãos.

- Quando voltou de viagem, ele foi internado no hospital e sua condição se agravou. Ele morreu de falência múltipla de órgãos - disse Florestan.

Cantor da tradicional música cubana <i>son</i>, cuja voz já foi comparada à de Nat King Cole, Ibrahim Ferrer nasceu num baile de um clube social em Santiago, Cuba, em 20 de fevereiro de 1927, quando sua mãe entrou em trabalho de parto inesperadamente. Ele começou a cantar profissionalmente aos 14 anos.

Na década de 1950, ele já era um cantor respeitado que se apresentava com bandas cubanas conhecidas, incluindo a do legendário Benny More.

Nos anos 1990, porém, seu nome já tinha sido esquecido. Para complementar a parca aposentadoria que recebia do governo comunista cubano, ele engraxava sapatos.

Ferrer foi retirado da obscuridade pelo disco premiado com o Grammy <i>Buena Vista Social Club</i>, de 1997, gravado por um grupo de músicos cubanos veteranos reunidos pelo guitarrista texano Ry Cooder.

Os músicos já envelhecidos foram projetados para uma inesperada segunda carreira musical e para a fama internacional, que cresceu ainda mais com o filme homônimo dirigido em 1999 pelo cineasta alemão Wim Wenders.

Dois dos principais integrantes do grupo, o cantor Compay Segundo e o pianista Ruben Gonzalez, morreram em 2003.

Como eles, Ibrahim Ferrer iniciou uma carreira solo e lançou discos seus em 1999 e 2003, tendo conquistado mais um Grammy e dois Grammy Latinos, incluindo um em 2000, aos 72 anos de idade, na categoria melhor artista revelação.

Durante sua última turnê européia, na qual passou pelo Festival de Jazz de Montreux, a Grã-Bretanha, Holand, Áustria, França e Espanha, Ferrer cantou uma coletânea de boleros que ele estava gravando e pretendia lançar em 2006.

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