A produção industrial brasileira retraiu-se pelo segundo mês consecutivo em fevereiro, dando continuidade a um movimento de desaceleração iniciado no fim do ano passado. O carnaval e a ainda frágil retomada do emprego e da renda dos consumidores pesaram sobre a atividade, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analistas.
A produção caiu 1,2% sobre janeiro e cresceu em ritmo menor na comparação anual, em 4,4%, informou o IBGE nesta quarta-feira. Analistas previam, em geral, sinais mais vigorosos da indústria em fevereiro.
- Em meses em que há carnaval, o ajuste sazonal não consegue eliminar totalmente o efeito dessa sazonalidade. Nós estamos avaliando isso como estagnação, mas há uma clara desaceleração se compararmos com os trimestres anteriores - disse Silvio Sales, técnico do IBGE.
O dado de janeiro foi revisto de queda de 0,5 % para recuo de 0,6 % sobre dezembro. A leitura de dezembro foi revisada de alta de 1,2 para 1,4 % ante novembro.
Para Alexandre Maia, economista-chefe da GAP Asset Management, o dado deve reforçar a visão de fim do ciclo de aperto monetário.
- É um número que confirma que a atividade está em franca desaceleração. A gente aqui já trabalhava com manutenção do juro (neste mês) e agora esse dado está consolidando essa expectativa. A produção está convergindo para um nível muito confortável para o Banco Central, que estava preocupado com pressões inflacionárias - afirmou.
Juros altos
Em relação a janeiro, a produção de bens de consumo duráveis cresceu 11,8%. As demais categorias de uso tiveram queda. A de bens de capital caiu 3,1%, a de bens intermediários recuou 1,2% e a de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis retraiu-se em 4,3%.
- A queda da produção tem uma leve relação com a alta dos juros, mas dá para ver que não é tão significativa, porque os bens duráveis são altamente sensíveis a juros e vieram bem. Tem um efeito muito modesto dos juros nesses dados - disse Alex Agostini, economista da GRC Visão.
Entre os setores, a queda mais acentuada foi apurada por Farmacêutica (de 15,6%), Alimentos (2,2%), Refino de petróleo e produção de álcool (3,1%) e Bebidas (de 5,6%).
- Os setores que mais caíram, como alimentos e bebidas, têm uma ligação direta com a renda... Essa queda da produção ainda é por uma recuperação muito modesta da renda e do emprego - acrescentou Agostini.
Sobre fevereiro de 2004, a atividade de bens de consumo duráveis teve crescimento de 22,4% e a de bens de consumo semiduráveis e não duráveis, de 5,3%. A produção de bens intermediários e a de bens de capital subiu 1,1% cada. No ano, a produção industrial acumula alta de 5,2% e nos últimos 12 meses, de 8,6%.