O número de crianças e adolescentes trabalhando no Brasil continua em queda, mas ainda é muito significativo, levando-se em conta a política persistente de combate ao trabalho infantil iniciada em 1992 no país. De um total de 43 milhões de menores na faixa de 5 a 17 anos, 5 milhões, ou 12,6%, ainda trabalhavam em 2002. Em 1992, mais de 8 milhões de crianças trabalhavam em diversas atividades, principalmente na agricultura e no trabalho informal, nos grandes centros urbanos.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2002, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirma a tendência de redução do trabalho infantil no país, com destaque para o grupo de 10 a 14 anos. Em 1992, 20,4% desses menores trabalhavam. A PNAD 2002 mostra que neste ano esse índice está em 11,3% dessa população. Os menores teriam ingressado na escola motivados pelos programas sociais, como o Bolsa-Escola.
Segundo o IBGE, a população ocupada de 5 a 14 anos de idade estava mais concentrada em pequenos empreendimentos familiares, especialmente no setor agrícola, desenvolvendo trabalhos sem contrapartida de remuneração. Em 2002, a atividade agrícola detinha 59,7% das crianças ocupadas de 5 a 14 anos de idade.
No grupo etário de 5 a 9 anos, o percentual foi de 75,6% e no de 10 a 14 anos ficou em 57,3%. A pesquisa mostra que de 1992 a 2002, na faixa dos 5 aos 14 anos de idade, a participação de meninos no trabalho caiu de 16,2% para 8,7% e de 8% para 4,3%, entre as meninas.
Na faixa de 15 a 17 anos, a parcela ocupada aumentou de 31,5%, em 2001, para 31,8%, em 2002, mostrando a necessidade de trabalho do jovem, que já encontra dificuldade por espaço na escola.