Os dados do Sistema de Contas Nacionais 2000-2002, divulgados nesta terç-feira pelo IBGE, confirmam o aumento da carga tributária no país. Segundo o instituto, a carga tributária atingiu o recorde de 34,9% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2002, contra os 33,4% alcançados em 2001.
- A maior parte deste crescimento concentrou-se na esfera federal (R$ 49,6 bilhões), cuja participação no PIB foi de 22,7% (2001) para 24,0% (2002) - diz o relatório do IBGE sobre os dados. O aumento da carga bruta, segundo o instituto, deveu-se tanto a receitas extraordinárias como ao aumento da base tributável.
A arrecadação com Imposto de Renda cresceu 29,6% nominais (R$ 17,4 bilhões) ante 2001, puxada pelo pagamento de débitos atrasados por parte de fundos de pensão.
A Cide-combustíveis, instituída no ano passado, recolheu mais R$ 7,6 bilhões para o governo. A arrecadação da CPMF cresceu R$ 3,1 bilhões (18,1%) em relação a 2001.
-Em parte, devido à alíquota de 0,38% ter vigorado em todo o ano de 2002, ao passo que, em 2001, essa alíquota passou a vigorar apenas a partir de 19 de março- diz a entidade.
A queda das vendas internas e os acordos de incentivo à indústria automobilística tiveram reflexos sobre a arrecadação nominal do IPI, que baixou 1,9% ante 2001. O recolhimento do Imposto sobre Importação diminuiu 12,7% nominais, devido à " redução no valor, em dólar, das importações tributadas".
PIB
A soma de todas as riquezas produzidas no país atingiu R$ 1,3 trilhão no ano passado, quando a economia cresceu 1,9%. O setor com a melhor performance em 2002 foi o agropecuário, que expandiu-se 5,5%. A indústria avançou 2,6 por cento e o setor de serviços, 1,6%.
A expectativa é que este ano o Produto Interno Bruto (PIB) cresça por volta de 0,20%, de acordo com a mais recente estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Renda
As incertezas em relação à economia, a instabilidade do câmbio, o repasse da desvalorização do Real para os preços internos e o aumento das taxas de juros no último trimestre do ano implicaram em redução real de 0,4% no consumo final pessoal.
A massa de rendimentos do trabalho cresceu 9,3%, com a elevação de 3,0% no total de pessoas ocupadas e de 6,7% no rendimento médio nominal. Considerando que o índice de preço implícito da despesa de consumo das famílias nas Contas Nacionais foi de 8,0%, em 2002, a massa salarial apresentou um aumento de 1,2% em termos reais, e o rendimento médio uma queda real de 1,3%.