Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

IBGE: Brasileiro está mais escolarizado

A população brasileira está mais escolarizada, constatou o Índice de Indicadores Sociais 2004 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A média do tempo de estudo subiu de cinco anos em 1993 para 6,4 anos em 2003. Entre os jovens de 20 a 24 anos, este índice é de 8,5 anos. Entre as pessoas com 25 anos ou mais, no entanto, a média chega a 6,3 anos. (Leia Mais)

Quinta, 24 de Fevereiro de 2005 às 08:13, por: CdB

A população brasileira está mais escolarizada, constatou o Índice de Indicadores Sociais 2004 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A média do tempo de estudo subiu de cinco anos em 1993 para 6,4 anos em 2003. Entre os jovens de 20 a 24 anos, este índice é de 8,5 anos. Entre as pessoas com 25 anos ou mais, no entanto, a média chega a 6,3 anos.

Para a chefe da Divisão de Indicadores Sociais do IBGE, Ana Lucia Saboia, os indicadores mostram uma grande desigualdade entre as diversas camadas da sociedade.

- A diferença dos anos de estudo dos 20% mais ricos em relação aos dos 20% mais pobres chega a 6,5 anos. A questão da renda ainda é muito importante na educação.

Se for feita uma comparação entre as diversas regiões brasileiras, é possível verificar também disparidades. Enquanto a média de tempo de estudo da população com mais de 10 anos de idade no Sudeste brasileiro é de 7,1 anos, no Nordeste o índice é de apenas cinco anos. Nas unidades da Federação, é possível verificar um abismo ainda maior. O Distrito Federal, por exemplo, tem uma média de 8,3 anos de estudo, contra os 4,4 anos da população de Alagoas.

Alagoas, aliás, é o Estado que apresenta a maior desigualdade entre as diferentes classes sociais, se analisada a população com 25 anos ou mais. Ao mesmo tempo em que os 20% mais ricos daquele Estado nordestino têm o melhor tempo de estudo do país (11,8 anos), os 20% mais pobres apresentam o pior desempenho (2,6 anos).

- Esses dados provavelmente mostram que deve haver uma maior distribuição de renda para que os indicadores sociais melhorem. Imagino que, havendo uma melhor distribuição, a população terá mais oportunidades de ir para a escola e se instruir melhor - disse a responsável pelo estudo.

A professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro Mirian Paura acredita que mesmo o Brasil conseguindo aumentar a média do tempo de estudo da população, isso não é motivo para comemorar.

- Nós tivemos um aumento de 1,4 ano durante um período de dez anos (de 1993 para 2003). Será que em 2013 atingiremos só mais 1,4 ponto? - disse.

Segundo ela, uma das formas de se alcançar um melhor desempenho na educação brasileira é universalizar o ensino médio, assim como aconteceu com o ensino fundamental, que em 2003 atingia cerca de 97,2% da população em idade escolar obrigatória (de 7 a 14 anos).

- Nós temos quase 200 mil estabelecimentos de ensino regular. Destes, 88,5% são de ensino fundamental e só 11,5% de ensino médio. Grande parte de municípios nem tem ensino médio. Essas crianças e jovens não dão continuidade aos estudos - afirmou Mirian.

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