Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

IBGE apura desigualdades raciais no mercado de trabalho

A maior parte dos desempregados brasileiros é preta ou parda e os que estão trabalhando ganham menos da metade que os brancos, mostrou uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. (Leia Mais)

Sexta, 04 de Junho de 2004 às 11:32, por: CdB

A maior parte dos desempregados brasileiros é preta ou parda e os que estão trabalhando ganham menos da metade que os brancos, mostrou uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Das 18,5 milhões de pessoas ocupadas em março, 58 por cento eram brancas e 40,8 por cento eram pretas ou pardas. Entre os desocupados, 49,2 por cento eram brancas e 50,4 por cento eram pretas ou pardas.

"Pretos e pardos apresentavam maior dificuldade em encontrar trabalho", disse o IBGE em comunicado, com base na Pesquisa Mensal de Emprego nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

Os trabalhadores brancos recebiam em março em média 6,52 reais por hora, pouco mais do que o dobro do salário de pretos ou pardos, que era de 3,18 reais por hora.

O instituto mostrou também uma forte diferença nos rendimentos. os homens brancos recebiam 7,16 reais por hora, mais do que o dobro do rendimento dos homens negros ou pardos, de 3,45 reais, que ficou abaixo do salário das mulheres brancas, de 5,69 reais. A menor renda era recebida pelas mulheres pretas ou pardas, 2,78 reais.

A pesquisa mostrou ainda que os pretos ou pardos eram maioria entre os trabalhadores por conta própria ou empregados sem carteira assinada.

Apenas 37,5 por cento deles tinham carteira assinada em março, contra 41 por cento dos brancos.

Os brancos ocupados têm maior escolaridade --em média 9,8 anos-- que os negros ou pardos, que estudaram em média 7,7 anos.

Os entrevistados se auto classificaram entre branco, preto, amarelo, pardo e indígena.

O IBGE acrescentou que a baixa proporção de indígenas e amarelos entre os trabalhadores --1 por cento-- não permitiu uma análise detalhada e os excluiu do estudo.

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