Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Ibama tem, em média, um fiscal para área equivalente a três cidades

Segunda, 10 de Março de 2008 às 09:27, por: CdB

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) conta apenas com um fiscal para uma área equivalente a três cidades de São Paulo, ou para cada 4.502 km², segundo reportagem do diário paulista Folha de São Paulo.

A falta de um contingente forte de fiscalização dificulta o combate ao desmatamento que vem sistematicamente crescendo no Brasil e foi apontado pelo presidente Lula como uma de suas prioridades.

Os quatro estados que compõem a região amazônica estão entre os cinco mais críticos nessa proporção e é exatamente esta região a mais atingida atualmente pelo contrabando de madeira e pelo forte desmatamento.

No Amazonas, são 79 fiscais. Na média, são 19.883 km² para cada um. No Pará, há 8.050 km² para cada um dos 155 fiscais. Em São Paulo, há um funcionário para cada 2.955 km². O Rio de Janeiro é o estado com o melhor quadro, um fiscal para cada 590 km².

Segundo o próprio Ministério do Meio Ambiente, que encomendou o levantamento, há 2.030 pessoas hoje trabalhando em todo o sistema de unidades de conservação do país. O próprio ministério admite que o ideal seria ter ao menos 9.075 servidores (ou seja, uma necessidade de incrementar essa mão-de-obra em 347%).

- Não há estrutura para conter o desmatamento na Amazônia. O dinheiro a ser manejado por hectare é uma brincadeira - disse Maria Tereza Pádua, ex-presidente do Ibama e membro da União Mundial para a Conservação da Natureza.

Segundo ela, o enfraquecimento do órgão é claro e tem um objetivo:

- Não atrapalhar o crescimento econômico.

Raul do Valle, do ISA (Instituto Socioambiental), concorda.

- A questão ambiental ainda é vista como obstáculo, entrave.

Não só a falta de pessoal é um problema do órgão. Segundo os servidores, o Ibama encontra-se em um estado de sucateramento generalizado.  Entre a lista de queixas dos funcionários do Ibama, estão desde a falta de estrutura básica (como carro, combustível, armas ou telefone), baixos salários e desorganização administrativa até a falta de proteção a funcionários ameaçados de morte.

O Ibama rebate as críticas afirmando que não há necessidade de fiscalização em cada metro quadrado de mata, pois eles contam com ações "otimizadas" axiliadas por dados e ações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Brasileira de Inteligência (ABI) e da Polícia Federal.

Em relação às críticas dos servidores, Flávio Montiel, diretor de Proteção Ambiental do Ibama afirmou que, desde 2004, foram gastos cerca de R$ 29 milhões com infra-estrutura.

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