Rio de Janeiro, 02 de Fevereiro de 2026

Ibama quer evitar comércio de acessórios feitos de animais

A venda de acessórios confeccionados por artesãos indígenas nesta época de Festival Folclórico de Parintins chama a atenção de turistas e moradores locais que buscam e usam os artigos seguindo as cores dos bois Garantido e Caprichoso, as principais atrações da festa.

Sábado, 30 de Junho de 2007 às 19:50, por: CdB

A venda de acessórios confeccionados por artesãos indígenas nesta época de Festival Folclórico de Parintins chama a atenção de turistas e moradores locais que buscam e usam os artigos seguindo as cores dos bois Garantido e Caprichoso, as principais atrações da festa.

Apesar da procura ser grande, colares, pulseiras, brincos e cocares feitos com penas, dentes e pedaços de ossos de animais silvestres estão na mira dos fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que desde o dia 14 de junho fazem a campanha "Não tire as penas da vida".

De acordo com a analista ambiental e fiscal do órgão em Parintins, Maria Luíza de Souza, a campanha ocorre praticamente ao longo do ano inteiro e é feita há cinco anos na cidade amazonense. Em 2007, explica, o principal público-alvo são os turistas que já estão na cidade para participar da 42ª edição do evento, que ocorre este fim-de-semana.

- A campanha é voltada principalmente para turistas, para que eles não incentivem o comércio de produtos ilegais, subprodutos da fauna regional, incluindo penas, dentes, escama de peixes. Procuramos conscientizá-los para que não comprem esses artefatos de indígenas ou de outros artesãos porque são produtos ilegais.

Segundo ela, o problema com os artesanatos ocorre apenas na época do festival, quando dobra o número de pessoas na ilha Tupinambarana - como a cidade é conhecida por causa dos seus primeiros habitantes, os Tupinambás.  Nos meses anteriores e posteriores às exibições dos bumbas, acrescenta, os artesãos concentram a produção em artigos feitos com sementes, capim e palha.

Nesta semana, o coordenador da Casa do Índio em Parintins, Jéferson Padilha, e um grupo de 15 indígenas das etnias Tikuna, Wai Wai, Hexkaryana e Sateré Mawé estiveram na sede do Ibama na cidade para tentar um acordo com o órgão ambiental sem prejudicar o trabalho dos índios.

Padilha explica que os indígenas exploram a venda dos artesanatos feitos com partes do corpo de animais silvestres porque são os mais procurados por turistas. Mas esclarece que os índios não querem agir de forma ilegal.

- Nós nos alimentamos desses animais e usamos as penas para o nosso artesanato, que faz parte da nossa cultura. Queremos trabalhar livremente, sem precisar nos esconder.

Depois da conversa com o Ibama, os indígenas propuseram a criação de um fórum entre os representantes das etnias que vivem em Parintins, Ibama e Funai para tentar viabilizar a venda dos artefatos segundo a legislação ambiental.

Parintins fica a 369 quilômetros de Manaus. A administração da Funai na cidade é responsável por três terras indígenas: Andirá- Marau, Nhamundá-Mapuera e Trombetas-Mapuera, que concentram mais de 100 mil índios e pelo menos 12 etnias distintas.

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