Rio de Janeiro, 21 de Abril de 2026

Ian Blair recebe orientação para renunciar

Segunda, 13 de Março de 2006 às 08:58, por: CdB

O policial mais importante da Grã-Bretanha, já sob pressão devido ao assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes, ouviu na segunda-feira apelos para que renunciasse depois de seu gabinete ter admitido que ele gravou secretamente um telefonema com o procurador-geral do país. Sir Ian Blair, chefe de polícia de Londres, também gravou conversas telefônicas mantidas com membros de uma comissão encarregada de investigar a morte de Jean Charles, disse a Scotland Yard no final de semana.

Grupos de defesa dos direitos civis e um membro do órgão encarregado de supervisionar a polícia londrina exigiram a renúncia de Blair. Blair, 52, formado em Oxford, é encarregado desde fevereiro passado de chefiar os 30 mil policiais de Londres. Um porta-voz da Scotland Yard disse que Blair tinha ordenado a gravação de um telefonema vindo do procurador-geral do país, Peter Goldsmith, em setembro.

Goldsmith declarou que conversou com o chefe da polícia nesta segunda-feira e que ouviu explicações e um pedido de desculpas.

- No que diz respeito ao procurar-geral, o assunto está encerrado - afirmou uma porta-voz de Goldsmith.

Um porta-voz da polícia disse que Blair também ordenou a gravação de telefonemas mantidos com os integrantes da Comissão Independente de Queixas sobre a Polícia (IPCC), um órgão custeado pelo governo e encarregado de investigar a conduta do chefe da polícia na morte de Jean Charles, em julho. Pela lei do país, a gravação de telefonemas somente é legal para uso pessoal, diz o site do órgão Ofcom, encarregado de regulamentar o setor. A gravação só viola a lei se o conteúdo dela for divulgado para uma terceira pessoa.

'Avaliar posição'

Richard Barnes, membro da Autoridade da Polícia Metropolitana (MPA) - a qual supervisiona a polícia de Londres - disse que Blair deveria "avaliar sua posição". Shami Chakrabarti, diretora do grupo de defesa dos direitos humanos Liberty, afirmou que essas revelações pareciam verdadeiras e que Blair teria de explicar suas atitudes.

- O comportamento dele parece ser inconstitucional, ferir a ética e, possivelmente, ser ilegal - afirmou ela.

Blair vê-se sob pressão desde os atentados de julho do ano passado contra a rede de transportes públicos de Londres. A família do brasileiro morto pediu a renúncia do chefe de polícia, acusando-o de ter mentido sobre o caso e de ter enganado a opinião pública.

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