Na última semana a coluna entrevistou o ator cômico Ankito, grande nome das chanchadas, visto por alguns como genérico do Oscarito. Ankito, que já é um senhor de quase 80 anos, não trabalha na TV há quase uma década. Na entrevista para a coluna, o comediante declarou que "o humorismo está acabando conosco".
Humorismo milionário
Atualmente existem pelo menos nove programas de humor na TV:
TV Globo: Casseta & Planeta; A diarista; A grande família; Sexo Frágil; Zorra Total; Sob nova direção.
SBT: A praça é nossa; Meu cunhado
Rede TV!: Pânico na TV
Na década de 60, inaugurando um novo modelo de produção televisiva, a Excelsior marcou história por oferecer salários exorbitantes a atores, atrizes e comediantes, os tirando de todas as emissoras rivais. Quem recebeu essa herança administrativa foi a TV Globo que, invariavelmente, mostra os mesmos sinais de cansaço econômico que levou a emissora do grupo Simonsen à ruína há décadas. E, conforme visto acima, a maioria dos comediantes estão na Globo.
A mídia brasileira enfrenta a maior crise da sua história, com dívida estimada de R$ 10 bilhões. Em 2002, só a Globopar, holding das Organizações Globo, teve prejuízo de R$ 5 bilhões. E foi daí que surgiu aquela polêmica junto ao BNDES.
Na notícia da semana, o comediante Tom Cavalcanti, revelado nos humorísticos da Globo, saiu da casa. O ator assinou contrato com a Record, onde terá seu próprio programa. O motivo: salário superior. Tão superior que provavelmente cobre a multa pela rescisão contratual, com a TV Globo.
Voltando a Ankito. O humorismo está acabando em qual sentido, artístico ou financeiro? O ator se referiu ao lado artístico, claro, salientando uma diferença entre humoristas e atores cômicos (o "conosco" é a dica). Mas fica a pergunta, o que vai chegar ao fundo do poço primeiro, a falência estética ou financeira?
Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026
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