A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deveria enviar imediatamente mais tropas para garantir a segurança nas eleições do Afeganistão, disse a entidade Human Rights Watch nesta sexta-feira, acrescentando que um fracasso seria responsabilidade dos Estados Unidos e de seus aliados da aliança.
O grupo acusou a Otan de não se comprometer, contribuindo para o agravamento da situação, e cobrou maior apoio militar para o processo de registro de eleitores e de candidatos independentes para as eleições de setembro.
O apelo foi feito enquanto o presidente Hamid Karzai encontrava o comandante da Otan para a Europa, general James Jones, em Cabul, e na semana anterior à cúpula da aliança na Turquia.
Em Istambul, a Otan deve anunciar que sua força de paz no Afeganistão, com 6.400 membros, vai assumir o comando sobre as quatro ou cinco equipes de reconstrução civil-militar no norte do Afeganistão. Será anunciado também um reforço de 1.200 soldados para as eleições.
Isso fica aquém dos 5.000 soldados extras que a Organização das Nações Unidas (ONU) e o governo afegão consideram necessários. Além disso, o contingente irá para províncias relativamente seguras, não para o sul e o leste, onde são mais ativos os militantes islâmicos que prometem perturbar o pleito.
"Se as eleições não ocorrerem por causa da insegurança, ou se forem realizadas, mas não forem livres e justas, a culpa será totalmente dos chefes dos EUA e de seus aliados da Otan", disse a Human Rights Watch, com sede em Nova York, em nota ao público.
A entidade afirmou que jornalistas e candidatos independentes enfrentam graves ameaças de chefes tribais que, como mostrou a experiência, assumiram o poder quando houve um vácuo de segurança.
"Para que a eleição dê certo, a Otan precisará tanto fornecer segurança adicional a candidatos vulneráveis e locais de votação quando ajudar a desarmar as milícias", disse a nota, lembrando que a Otan não chegou a enviar ao Afeganistão os 40 mil militares que deslocou para Kosovo, que tem apenas um décimo do tamanho.
O grupo disse ainda que, restringido praticamente sua presença a Cabul, a Otan não consegue melhorar a situação geral do país. Mesmo na capital, porém, a ONG diz que metade das milícias não foi desarmada, apesar de a Otan operar na cidade há mais de dois anos.
Embora ofuscados pelo Iraque, os problemas do Afeganistão continuam sendo "extremamente graves", e a comunidade internacional precisa agir com rapidez, disse a Human Rights Watch.
"A cúpula de Istambul é a última chance real de a Otan demonstrar que leva a sério suas responsabilidades perante o povo do Afeganistão", afirma o texto.
Essa é a primeira operação da Otan fora das suas fronteiras originais - a Europa e a América do Norte. Seus membros relutam em enviar mais tropas porque dizem que sua capacidade já está no limite por causa de ações em lugares como o Iraque e os Bálcãs.