O grupo Human Rights Watch acusou nesta terça-feira a liderança do Uzbequistão de tentar encobrir um "massacre" ao impedir uma investigação internacional sobre a morte de manifestantes no mês passado.
A entidade, com sede em Nova York, divulgou o primeiro relatório independente sobre o conflito na cidade de Andizhan, mas disse que questões importantes - incluindo o número real de mortos - ainda não foram respondidas. Segundo testemunhas, mais de 500 pessoas morreram.
- A escala dessas mortes foi muito grande, e sua natureza foi tão indiscriminada e desproporcional, que a melhor maneira de descrevê-la é como um 'massacre - disse o relatório.
O texto afirmou que os feridos foram deixados sem tratamento por horas e alguns foram executados por soldados. Muitos corpos ainda estão desaparecidos, disse.
Testemunhas das mortes de 13 de maio contaram que soldados abriram fogo sem aviso contra uma multidão de manifestantes desarmados, entre os quais mulheres e crianças. Eles protestavam contra a pobreza e a repressão do governo.
- As autoridade uzbeques estão tentando ocultar esse massacre - declarou Kenneth Roth, diretor-executivo do Human Rights Watch.
- Nossa investigação é um primeiro passo em direção ao relato do que aconteceu. Mas somente uma investigação internacional completa, com acesso a registros oficiais, pode fornecer a dimensão real desses eventos trágicos - ressaltou.
O relatório foi apresentado em uma entrevista coletiva em Moscou, onde Roth participa de uma reunião da direção do Human Rights Watch.
O presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, afirmou que o número de pessoas mortas foi de 173 e que a maioria era de "terroristas" armados que tentavam derrubar o governo e instalar um regime islâmico na ex-república soviética.
Ele rejeitou os pedidos dos Estados Unidos, da União Européia e da Organização das Nações Unidas (ONU) por uma investigação internacional. O Parlamento uzbeque está conduzindo sua própria investigação.
O relatório do grupo tem base em 50 entrevistas com testemunhas.