O nacionalista Ollanta Humala, que entrou para a política há um ano prometendo acabar com a pobreza e a exclusão no Peru, não foi eleito presidente, mas colocou seu partido como a principal força do Congresso.
O militar reformado de 43 anos, que foi o candidato mais votado no primeiro turno, fundou com sua esposa, Nadine Heredia, o Partido Nacionalista, com o objetivo de conseguir "a grande transformação" e colocar fim ao neoliberalismo.
Após a confirmação da vitória de seu rival, o social-democrata Alan García, o nacionalista disse que estava satisfeito porque conseguiu "construir um movimento que mudou o mapa político do Peru".
A legenda pelo qual ele se candidatou, o União pelo Peru (UPP), por não poder registrar seu partido nacionalista por falta de tempo, obteve 45 das 120 cadeiras da Câmara nas eleições legislativas.
Mesmo não obtendo a maioria absoluta, o UPP se tornou a força mais representada, seguido pelo histórico Partido Aprista, de García, com 36 cadeiras.
Além disso, a candidatura presidencial de Humala foi a mais votada em 15 dos 24 departamentos do país, localizados nos Andes do sul e centro do país, assim como na floresta amazônica.
Mas estas regiões são menos povoadas, em comparação com o litoral e a capital, onde García saiu vitorioso.
Desde sua entrada na vida política, o ex-comandante se tornou a voz dos despossuídos por seu carisma, sua mensagem direta e seu discurso contra a corrupção e a reconstrução da desprestigiada classe política peruana.
Os eleitores de Humala são aqueles que confiaram anos atrás no atual presidente, Alejandro Toledo, mas que nunca viram cumpridas suas promessas de mudança e desenvolvimento.
A consolidação do ex-comandante como líder das comunidades mais necessitadas coincidiu com um crescente temor das classes dirigentes, empresariais e investidoras, que viram em seus planos de nacionalização uma ameaça a seus interesses e ao próprio desenvolvimento da nação.
A campanha de Humala foi atingida por acusações de crimes contra a humanidade supostamente cometidos quando dirigiu uma base antiterrorista na selva peruana, em 1992.
Humala também foi alvo da pressão da imprensa peruana, que não mediu adjetivos e ataques contra ele por considerá-lo um aliado do presidente venezuelano, Hugo Chávez.
Além disso, os medos exibidos contra o nacionalista, que também se declarou próximo ao cubano Fidel Castro e ao boliviano Evo Morales, fez com que os inimigos mais acirrados de Alan García se transformassem em seus aliados.
O nacionalista se inscreve na lista dos bem-sucedidos políticos "anti-sistema" que surgiram no Peru desde 1990, com a chegada ao poder de Alberto Fujimori (1990-2000), e que continuou com o economista Alejandro Toledo, que sairá do Governo em julho.
Com apenas um ano de experiência política, o militar reformado derrotou nas urnas a conservadora Lourdes Flores e o ex-presidente Valentín Paniagua.
Humala buscará agora o apoio da esquerda, dos movimentos sociais e das organizações gremiais para realizar seu sonho de chegar ao poder nas eleições de 2011.
<b>Eleição</b>
O social-democrata Alan García venceu as eleições presidenciais peruanas de domingo com uma vantagem de mais de um milhão de votos, quase 10 pontos percentuais, sobre o militar da reserva nacionalista Ollanta Humala, após a apuração de 84% das urnas.
García, que registrava 54,7% dos votos segundo dados oficiais, prometeu durante a campanha uma mudança responsável. Humala, considerado um populista ligado ao presidente venezuelano Hugo Chávez, que propôs a nacionalização dos recursos naturais, tinha 45,3% dos votos.
De acordo com o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), García recebeu 6.158.588 votos e Humala 5.101.624.
García agradeceu aos peruanos pela votação, que segundo ele também serviu para derrotar as tentativas de Chávez de incorporar o Per