Rio de Janeiro, 06 de Outubro de 2026

Humala jura obediência à Carta pré-Fujimori

Sexta, 29 de Julho de 2011 às 09:38, por: CdB

Ollanta Humala assumiu ontem a presidência do Peru reafirmando sua missão de combate à pobreza, de manutenção do crescimento econômico e de compromisso com os princípios democráticos no país. Na prática, sua posse é mais uma expressão da tendência que se consolida na América do Sul de governos progressistas. Em particular, no caso peruano, sua vitória representa a derrota das forças fujimoristas - que ameaçaram voltar ao poder durante a acirrada campanha eleitoral deste ano.

Em seu discurso de posse, Humala deu o seu recado aos fujimoristas. Prestou juramento sobre a Constituição de 1979 e não sobre a de 1993. O gesto é repleto de simbolismo. O novo presidente do Peru optou pela versão democrática da Carta, pré-Fujimori. A mais recente foi promulgada após o ditador ter dissolvido o Congresso peruano.

O país que Humala assume possui um terço de sua população vivendo em situação abaixo da linha de pobreza, à margem, portanto, das oportunidades do vigoroso crescimento, superior a 7% ao ano registrado pela economia peruana, e de um cenário de baixa inflação, inferior a 2,5% anuais.

Combate à exclusão

"A democracia será plena quando a igualdade for patrimônio de todos e a exclusão desaparecer dos lugares mais remotos", afirmou Humala. Inspirado na experiência brasileira, o presidente recém empossado pretende ampliar e dotar de mais recursos programas sociais. Entre eles está o Juntos - versão peruana do Bolsa Família - que atende a 471 mil famílias.

Humala reafirmou sua intenção de manter e criar programas de assistência social para combater a pobreza e a desigualdade. Outra promessa diz respeito ao salário mínimo, que deverá ser aumentado dos atuais 600 soles (R$ 342 reais), para 750 soles (R$ 428, 32 reais), já no ano que vem.

Humala comprometeu-se com a criação de um novo Ministério de Desenvolvimento e Inclusão Social e de um Conselho Econômico e Social, que reunirá empresariado, trabalhadores e sociedade civil - aos moldes do Conselho que temos no Brasil.

Já, quanto à composição de seu governo, o novo presidente repete o modelo de construção de "um governo de unidade nacional", no qual várias forças progressistas são chamadas a participar. Entre os nomes já contemplados, encontram-se os do vice-ministro no governo de Alan Garcia, Luis Castilha, para a condução das Finanças do país; e do empresário Salomon Lerner Ghitis, como primeiro ministro. A coligação de direita Peru Possível, comandada pelo ex-presidente Alejandro Toledo, também fará parte do governo.

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