LIMA, 25 JUN (ANSA) - O presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, disse que respeitará qualquer que seja a sentença da Corte Internacional de Justiça, em Haia, sobre a demanda pela modificação dos limites marítimos.
Humala relativizou as declarações de seu futuro ministro da Defesa, Daniel Mora, sobre ter uma força dissuasiva para fazer respeitar a decisão do tribunal.
O futuro mandatário, que tomará posse na quinta-feira, declarou que o Peru e o Chile estão "plenamente comprometidos" em respeitar a sentença e que independente do resultado ambos os países "aprofundarão relações de irmandade".
"O que temos que fazer agora é vencer nossos verdadeiros inimigos que são o subdesenvolvimento, a pobreza, a desigualdade, a exclusão, o analfabetismo, as drogas, a violência organizada, temas que todos os povos latino-americanos têm que lutar de maneira comum", declarou Humala, na emissora de televisão Panamericana.
Humala, 49 anos, ainda disse que a linha que a Defesa adotará em seu governo será a de garantir as relações de irmandade com o Chile e os demais países vizinhos.
O futuro chanceler peruano, Rafael Rancagliolo, também comentou o caso e afirmou que "no mundo contemporâneo desacatar uma sentença do tribunal é se converter em um país excluído".
Em declarações ao jornal El Mercúrio, o político ressaltou que "nem o Chile nem o Peru podem desacatar a sentença de Haia, ainda que seja natural que existam receios e preocupação sobre este tema".
Roncagliolo se reuniu na sexta-feira e no sábado com o chanceler chileno, Alfredo Moreno, e garantiu que não trataram sobre essa questão. "Não falamos nenhuma palavra sobre este tema porque ainda não me diz respeito", sustentou."Claro que existe a discussão da demanda marítima mas é algo sobre o qual somente nos cabe esperar a resolução de Haia. Isto já não está nas mãos do Chile nem nas mãos do Peru, está nas mãos do tribunal", manifestou.Em relação ao futuro das relações bilaterais, ele disse que espera que "seja a mais positiva possível". "Nós temos interesse em manter uma relação positiva, com todas as reciprocidades entre os dois países", destacou.
O Peru apresentou a demanda em janeiro de 2008 para resolver um impasse em relação à demarcação de limites marítimos com o Chile. De acordo com o governo de Lima, os tratados assinados entre ambas as nações em 1952 e 1954 não passam de acordos pesqueiros. Santiago, por sua vez, afirma que esses documentos já servem para demarcar fronteiras.Em 11 de julho, o governo chileno entregou sua resposta ao processo apresentado pelo país vizinho. Com isso, a etapa escrita foi encerrada. O início das audiências orais está previsto para 2012. (ANSA)
HUMALA DIZ QUE RESPEITARÁ QUALQUER SENTENÇA SOBRE DEMANDA MARÍTIMA
Segunda, 25 de Julho de 2011 às 11:18, por: CdB