O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou nesta sexta-feira, em Pequim, que os Estados Unidos precisam mais de uma "transição democrática" do que Cuba, classificando o sistema político americano de "ditadura" e acusou Israel de ter cometido um genocídio no Líbano.
Depois de dedicar a quinta-feira à assinatura de acordos econômicos, Chávez aproveitou uma coletiva de imprensa na capital chinesa para atacar Israel e seu principal inimigo, os Estados Unidos, e, ao mesmo tempo, defendeu Cuba.
- Ajudamos Cuba e continuaremos ajudando Cuba em tudo o que pudermos - disse Chávez.
- Temos dito que se em algum país é preciso haver uma transição para a democracia é nos Estados Unidos, porque nos Estados Unidos funciona uma ditadura - continuou.
Na quarta-feira, o subsecretário americano de Estado para a América Latina, Tom Shannon, pediu à Venezuela que assuma um "papel útil" no futuro de Cuba e se associe a uma transição democrática na ilha caribenha.
Chávez, inimigo declarado de Washington, foi o primeiro e único dirigente estrangeiro a viajar para Cuba, no dia 13 de agosto, para comemorar os 80 anos de seu colega cubano, Fidel Castro, que se recupera de uma cirurgia que o mantém longe do poder provisoriamente desde 31 de julho.
- O que os Estados Unidos impuseram é uma ditadura universal. O mundo deve pedir democracia e a grande ameaça para a democracia no mundo se chama Estados Unidos - acrescentou.
Chávez confirmou também que visitou Fidel uma segunda vez antes de iniciar sua quarta visita oficial ao gigante asiático, que representa a quarta economia mundial e o segundo consumidor de energia do planeta.
- Fidel se recupera. Eu o vi de novo há três dias; conversamos por umas duas horas, e de lá (Havana) viemos para a China - disse.
Ante a imprensa chinesa e internacional, Chávez também se mostrou muito duro com Israel, a quem acusou de ter cometido genocídio.
- Creio que ocorreu um genocídio. Creio que as autoridades de Israel deveriam ser levadas a tribunais internacionais por esse genocídio - acrescentou. Chávez denunciou "as atitudes fascistas" de Israel.
- Israel critica muito Hitler, nós também, mas fizeram algo parecido. Isso é fascismo. Ao pão, pão, e ao vinho, vinho - acrescentou.
- Nenhum povo do mundo, nenhum ser humano consciente neste mundo deveria ficar calado - declarou o presidente venezuelano.
- Temos acompanhado com atenção a solução do Conselho de Segurança, muito tardia, mas pelo menos houve uma solução. Tomara que seja cumprida. Apoiamos as Nações Unidas - concluiu o presidente Chávez.
Na véspera, em sua quarta viagem à China, Chávez afirmou que planeja triplicar suas exportações de petróleo para Pequim nos próximos cinco anos. A Venezuela - o quinto exportador de petróleo mundial - envia 150.000 barris diários à China, enquanto que para seu "inimigo imperialista", ou seja, os Estados Unidos, exporta diariamente 1,5 milhão de barris.
- Nós nos converteremos num dos principais exportadores de petróleo para a China - enfatizou Chávez, que, apesar de seus ataques antiamericanos, sabe que a maioria do petróleo venezuelano acaba nos Estados Unidos e, por isso, considera a China um tentador mercado alternativo para alterar essa tendência.
Nesta quinta-feira foram assinados acordos com as companhias estatais China National Petroleum e China Petroleum and Chemical (Sinopec) para uma exploração conjunta na região venezuelana do Orinoco, um dos maiores reservatórios petrolíferos do planeta. Chávez também se declarou contente por construir uma aliança estratégica com a China, depois dos nove acordos assinados durante a reunião com seus colega chinês, Hu Jintao. Após sua visita à China, Chávez viajará para Malásia e Angola, outro país exportador de petróleo.