Rio de Janeiro, 12 de Outubro de 2026

Hugo Chávez avalia possibilidade de se reeleger outra vez

Terça, 25 de Novembro de 2008 às 08:17, por: CdB

O presidente Hugo Chávez disse na segunda-feira que o Partido Socialista Unido da Venezuela, que ele fundou e dirige, pode promover uma nova reforma na Constituição para permitir a reeleição por tempo indeterminado.

Chávez, que chegou ao poder em 1999, tentou realizar a mesma reforma no ano passado, como parte de um pacote que lhe daria mais poderes, mas foi rejeitado num referendo.

– Se o Partido Socialista Unido, discutindo, considerar conveniente, poderia (propor a reforma). Se uma parte importante dos venezuelanos que me seguem considera conveniente, bom, isso é com eles – disse Chávez a jornalistas na noite de segunda-feira.

Ao longo de seus dez anos no governo, Chávez afirmou em várias ocasiões que pretende permanecer no poder até 2021 ou além. Na entrevista coletiva, porém, o presidente disse que não tomaria a iniciativa da reforma, que precisaria ser submetida a consulta popular.

– Restam-me a partir o próximo 2 de fevereiro quatro anos e governo. Se Deus e a Virgem quiserem, se me acompanhar a boa saúde, e se todas as outras condições e considerações (forem cumpridas), vou acelerar a marcha nestes quatro anos para realizar o projeto socialista – disse.

Uma vez no poder, Chávez já promoveu mudanças na Constituição e foi reeleito em 2006. Em dezembro de 2007, porém, sofreu sua primeira derrota eleitoral, no referendo constitucional. De acordo com o presidente, ele foi vencido por uma margem de apenas 10 a 15 mil votos.

A reforma, além de permitir uma nova candidatura em 2012, ampliaria o mandato presidencial de 6 para 7 anos e daria mais poderes ao Executivo em vários assuntos, como na capacidade de nomear autoridades regionais e administrar reservas internacionais.

No domingo, os aliados do presidente elegeram 17 dos 22 governadores da Venezuela, mas a oposição conseguiu vitórias importantes em grandes centros urbanos.

Chávez costuma transformar as votações em uma espécie de plebiscito sobre a sua gestão e sobre a revolução socialista no país, que tem muitos programas sociais patrocinados pelo dinheiro do petróleo.

Apoio do Irã

Um dos principais aliados de Chávez na Organização dos Países Produtores de Petróleo, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad telefonou para o colega venezuelano para lhe felicitar pela vitória nas últimas eleições e confirmar sua presença, mês que vem, na Venezuela. Ele concorda com o mandatário latino-americano que a produção de petróleo deve ser reduzida para evitar uma queda ainda maior nos preços. Em discurso para uma platéia de militares, em Teerã, Ahmadinejad afirmou, no entanto, que a queda nos preços do petróleo não tem um grande impacto na economia do país e assegurou que ela seguirá estável se o preço do barril baixar até US$ 5.

– Podemos dirigir o país vendendo o barril de petróleo a US$ 5 – afirmou.

O governante iraniano lembrou que durante a guerra com o Iraque (1980-1988), o Irã se manteve com um preço do barril de US$ 5, um décimo dos nível atual. O barril do petróleo chegou a US$ 147 em julho, um preço recorde. O Irã é o segundo produtor, depois da Arábia Saudita, dentre as nações que integram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), cujo último relatório situa a produção do Irã em 3,92 milhões de barris diários.

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