Hu diz que sobrevivência do PC chinês requer crescimento
Por Ben Blanchard e Chris Buckley
PEQUIM (Reuters) - O Partido Comunista que governa a China precisa assegurar que o crescimento econômico e seu domínio firme sobre a estabilidade não esmoreçam, disse nesta sexta-feira o presidente Hu Jintao, usando o 90o aniversário do partido para demonstrar unidade antes de uma sucessão delicada na liderança.
"O desenvolvimento é de importância primordial, e a estabilidade é a tarefa primordial", disse Hu a membros do partido escolhidos a dedo no Grande Salão do Povo, em Pequim, em discurso transmitido ao vivo pela televisão estatal.
"Sem estabilidade, nada pode ser realizado, e as conquistas que fizemos também serão perdidas. Todos os camaradas do partido precisam compreender essa mensagem e precisam também liderar o povo para que a compreenda", disse Hu.
"Apenas com a promoção do desenvolvimento econômico duradouro e rápido poderemos garantir uma base material forte para a grande renovação da nação chinesa."
O partido não tem dado sinais de diluir seus imensos poderes antes de uma grande troca de figuras políticas que terá lugar no final do próximo ano, quando Hu vai entregar o poder, provavelmente para o vice-presidente Xi Jinping.
Antes de Hu subir ao palco, Xi fez um pequeno discurso introdutório em que parabenizou membros exemplares do partido.
O predecessor de Hu, Jiang Zemin, 84 anos, não assistiu à cerimônia, um possível sinal de que sua saúde esteja declinando. Hu, 68 anos, também está começando a mostrar sua idade, apesar dos cabelos bastante pretos ostentados por todos os líderes centrais, graças a tinturas.
Nas semanas que antecederam o aniversário do partido a China lançou uma onda de propaganda política, produzindo filmes e enfeitando Pequim com faixas que louvam o governo do partido e os avanços feitos pelo país desde a revolução de 1949.
O premiê Wen Jiabao, que também se prepara para a aposentadoria, tem recentemente lançado chamados mais diretos por reformas políticas do que seus camaradas mais cautelosos, mas o partido não parece estar inclinado a dar ouvidos.
"Olhando para o progresso feito pela China nos últimos 90 anos, só podemos chegar a uma conclusão fundamental: que a chave para a administração correta dos assuntos da China está no partido", disse Hu, que comanda o maior partido político do mundo, com 80 milhões de filiados.
Apesar de algumas farpas lançadas entre líderes provinciais que disputam um lugar na próxima liderança central, Hu vem presidindo sobre um grupo surpreendentemente disciplinado de líderes, disse Kerry Brown, chefe do Programa da Ásia no Chatham House, um instituto londrino de política externa.
Depois de algumas iniciativas moderadas para proporcionar proteções legais mais fortes aos cidadãos, no início de sua presidência, Hu tem feito do controle forte sobre a sociedade chinesa, mais e mais diversificada e refratária, um dos marcos de seu período no poder.
Os últimos meses têm sido marcados por prisões de dissidentes, advogados de direitos humanos e manifestantes, depois de chamados online por protestos ao estilo árabe na China.
A despeito do crescimento econômico robusto da China, seus líderes comunistas temem que o governo deles possa ser enfraquecido e eventualmente desafiado pela insatisfação social e divisões na elite, o que poderia fazer com que seguisse o caminho da União Soviética, que caiu há duas décadas.
Em 2009 houve quase 90 mil "incidentes de massa" no país -- tumultos, protestos, petições em massa e outros atos de insatisfação, segundo um estudo feito em 2011 por dois acadêmicos da Universidade Nankai, no norte da China. De acordo com algumas estimativas, o número de incidentes teria sido ainda maior.
(Reportagem adicional de K.J. Kwon)
Reuters