Uma técnica inédita foi desenvolvida no Hospital Santa Catarina, para tratar a craniostenose, problema que impede o crescimento cerebral e causa problemas sérios de deficiência cognitiva e deformações da cabeça. Um bebê de quatro meses que sofria do problema foi o principal motivo para que o neurocirurgião pediátrico Sérgio Cavalheiro criasse a nova técnica, chamada neuroendoscopia.
Os pais da criança são testemunhas de Jeová e não queriam que o filho fizesse uma transfusão de sangue, mesmo estando à beira da morte. O Dr. Cavalheiro fez dois pequenos cortes no alto da cabeça, um mais à frente e outro atrás, por onde um endoscópio retira a sutura fechada e parte dos ossos parietais, justamente aqueles que se fecharam antes da hora. Assim, abre espaço e permite que o crânio e o cérebro continuem crescendo normalmente. Desde a realização da primeira cirurgia, o médico vem utilizando o procedimento, sempre no Hospital Santa Catarina, com sucesso em todos os casos deste tipo
- A técnica foi desenvolvida para aquele paciente, mas percebi que é melhor utilizá-la em todos, pois é sempre melhor evitar a transfusão - explica Cavalheiro.
Uma em cada 10 mil pessoas tem o fechamento antecipado destas suturas, levando a deformidades cranianas. O problema, que impede o total crescimento cerebral, ocasiona deficiências cognitivas irreversíveis e leva ao crescimento disforme da cabeça. Na maioria dos casos, as pessoas apresentam cabeças finas e alongadas, o que ainda provoca gozação entre as crianças.
O Hospital Santa Catarina é mantido pela Associação Congregação de Santa Catarina, segunda maior obra social do País. O HSC ajuda a sustentar 14 instituições nas áreas de saúde ensino e assistência social. Em São Paulo, a Congregação tem parceria com o Governo Estadual na gestão do Hospital de Pedreira e no Centro de Referência de idosos da Zona Norte.