A direção do Hospital Areolino de Abreu, em Teresina, que trata doentes mentais, responde a quatro inquéritos policiais por irregularidades dentro da unidade. O hospital pode ser interditado para que regularizem a situação.
Somente este ano houve duas mortes, a gravidez de uma paciente e várias denúncias de espancamento e maus tratos. Três inquéritos tramitam no 2º Distrito Policial, mas ainda não tiveram um desfecho.
A coordenadora de Saúde do Ministério Público, promotora Clotildes Carvalho, afirmou que se não for tomada uma providência o Hospital terá que ser interditado.
- Não queremos solicitar o fechamento, porque este é o único hospital público para doentes mentais. Mas não pode ficar como está- frisou.
Ela não considera que há interferência de poder.
- O problema é que as mortes foram contínuas. Foram abertos inquéritos para apurar a morte de um paciente que morreu de uma queda e outra que engravidou dentro do hospital, quando estava internada-relatou.
Clotildes Carvalho disse que ainda está sob investigação o roubo de três computadores e aparelhos de informática, além do sistema de som que era utilizado para o tratamento dos pacientes com musicoterapia. Ela revelou que os ofícios ensejam o afastamento da diretora do Areolino de Abreu.
- Toda a diretoria deve sair. A diretora é responsável por tudo que acontece no hospital. Ela tem que saber administrar. Se não regularizar, temos que pedir o fechamento do hospital- explicou.
A Vigilância Sanitária foi acionada pelo Ministério Público para fazer um termo de ajuste de conduta para fiscalizar, principalmente a cozinha do hospital.
-A comida é de péssima qualidade e deixa muito a desejar quanto à higiene. É preciso que se adotem providências quanto a isso também- complementou a promotora.
- Só neste período nós encaminhamos quatro inquéritos e ainda tem vários outros que devem ser encaminhados diretamente ao delegado do 2º Distrito. O secretário de Segurança, Airton Franco, foi procurado e não ficou omisso- emendou Clotildes Carvalho.