Hospital divulga boletim sobre saúde de José Genoíno
O Instituto de Cardiologia do Distrito Federal divulgou nesta sexta-feira o boletim médico sobre o Estado de saúde do deputado licenciado José Genoíno (PT-SP). O parlamentar está estável, mas continuará internado.
José Genoíno (PT-SP)
O Instituto de Cardiologia do Distrito Federal divulgou nesta sexta-feira o boletim médico sobre o Estado de saúde do deputado licenciado José Genoíno (PT-SP). O parlamentar está estável, mas continuará internado.
- O Instituto de Cardiologia do Distrito Federal informa que o paciente José Genoíno Neto, com histórico clínico de hipertensão arterial sistêmica, submetido a cirurgia de correção de dissecção de aorta em julho de 2013 e acidente vascular cerebral em agosto de 2013, foi admitido na emergência da instituição na tarde de quinta-feira.
Após realização de exames laboratoriais e de imagem foi descartado infarto agudo do miocárdio e diagnosticada elevação dos níveis pressóricos (pressão arterial) que podem comprometer o resultado da cirurgia de correção de dissecção de aorta e alteração de coagulação secundária ao uso de anticoagulante que aumenta o risco de sangramento.
O paciente foi reavaliado pela manhã, encontra-se estável e deverá permanecer internado até o controle adequado de pressão arterial e dos parâmetros de coagulação."
Regime domiciliar
Preso desde o dia 15 de novembro em decorrência de condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Penal 470, Genoíno passou mal nesta quarta-feira à noite na Penitenciária da Papuda e foi levado para avaliação cardiológica. A defesa de Genoíno já havia solicitado ao STF que o deputado pudesse cumprir sua pena em regime domiciliar porque seu estado de saúde exigiria cuidados que não são possíveis em um estabelecimento prisional.
Ontem o tribunal concedeu permissão provisória para que Genoíno permaneça em tratamento em casa ou em hospital até que seja concluída nova perícia a ser realizada por junta de cardiologistas do Hospital Universitário de Brasília. Esse exame deverá embasar a decisão definitiva do ministro Joaquim Barbosa sobre a concessão ou não do pedido sobre prisão domiciliar.
"Um homem mau"
"Joaquim Barbosa é um homem mau, com pouco sentimento humano". Assim o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, um dos mais conceituados advogados brasileiros e professor da PUC, há quase 40 anos, classificou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele se refere à forma como Barbosa conduziu a prisão de Genoino.
– Acho que é mais um problema de maldade. Ele é uma pessoa má. Falo isso sem nenhum preconceito com a pessoa dele pois já o convidei para jantar na minha casa. Mas o que ele faz é simplesmente maldade – disse o advogado, a jornalistas.
Bandeira de Mello subscreveu na terça-feira, ao lado de juristas, intelectuais e líderes petistas, um manifesto condenando a postura de Barbosa. A ação supostamente arbitrária do ministro na prisão dos condenados no processo do mensalão seria passível de um processo de impeachment.
– A medida concreta neste caso seria um pedido de impeachment do presidente do Supremo – disse Bandeira de Mello, com a ressalva de que não é especialista em direito penal mas expressa "a opinião de quem entende da matéria".
De acordo com o advogado, o foro adequado para o pedido de impeachment seria o Senado Federal. Segundo o inciso 2º do artigo 52 da Constituição Federal, é de competência exclusiva do Senado julgar os ministros do Supremo. A iniciativa, segundo Bandeira de Mello, pode ser de "qualquer cidadão suficientemente bem informado e, principalmente, dos partidos políticos".
Na segunda-feira, o diretório nacional do PT chegou a cogitar medidas concretas contra Barbosa. A iniciativa, no entanto, foi abortada por líderes do partido que preferem não se indispor com o presidente do Supremo. Segundo Bandeira de Mello, o fato de Barbosa ter mandado para o regime fechado pessoas que haviam sido condenadas ao semiaberto e a expedição de mandados de prisão em pleno feriado da Proclamação da República sem as respectivas cartas de sentença (emitidas 48 horas depois) contrariam a legislação e poderiam motivar o afastamento de Barbosa.
Para o advogado, a culpa pelas supostas violações e arbitrariedades é exclusivamente do presidente do Supremo.
– É o Barbosa. Os demais ministros, ou parte deles, já praticaram as ilegalidades que podiam praticar no curso do processo – disse Bandeira de Mello.
O manifesto divulgado na terça-feira diz que "o STF precisa reagir para não se tornar refém de seu presidente". O texto é subscrito por dezenas de militantes petistas e partidos aliados, como os presidentes do PT, Rui Falcão, e PCdoB, Renato Rabelo, além de personalidades de diversas áreas como o jurista Dalmo Dallari, a filósofa Marilena Chauí, a cientista política Maria Victoria Benevides, os cineastas Luci e Luiz Carlos Barreto e o escritor Fernando Morais.
Bandeira de Mello crê que o plenário do Supremo deveria fazer uma censura pública a Barbosa.
– Poderia ser de forma verbal, em plenário, por meio de um manifesto e até mesmo pessoalmente. Ou o Supremo censura a conduta de seu presidente ou ele vai cada vez mais avançar o sinal – concluiu Bandeira de Mello.
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