Hospitais pernambucanos voltaram a registrar a presença da bactéria Enterococcus faecium. Desta vez, ela foi encontrada nas UTIs do Hospital Barão de Lucena (HBL) e do Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape), ambos no Recife. Em março, a bactéria foi encontrada na UTI do Hospital Agamenon Magalhães, na Zona Norte da capital. Devido à sua resistência ao antibiótico vancomicina, indicado no tratamento desse tipo de microorganismo, as autoridades médicas decidiram fechar a unidade para novas internações e isolar pacientes.
No Hospital Barão de Lucena, o primeiro caso foi registrado no dia 14 de setembro, numa paciente de 89 anos. A mulher deu entrada na unidade dois dias antes com pneumonia, infecção urinária e outras complicações, e morreu no dia 23 de setembro em decorrência de edema no pulmão, enfarte agudo do miocárdio e infecção respiratória, segundo o prontuário médico.
A Secretaria de Saúde negou que ela tenha morrido por causa da Enterococcus faecium. Ainda no HBL, foi registrado um segundo caso no dia 1º de outubro. Exame realizado numa paciente de 68 anos, internada na UTI, em 8 de julho, devido a um câncer das vias biliares, detectou o microrganismo. Ela encontra-se no leito de isolamento. Os outros pacientes estão passando por testes, mas até agora não apresentaram a bactéria.
No Procape, a bactéria foi identificada numa paciente que deu entrada na UTI da unidade após sofrer um enfarte, em 23 de setembro. A bactéria foi diagnosticada no seu corpo há dez dias, o que levou a direção da unidade a isolar os outros 17 pacientes que estavam no setor e a realizar o rastreamento laboratorial em todos eles. O resultado dos exames deu negativo para o microrganismo.
Segundo a diretora clínica do Procape, Deuzeny Tenório, a UTI só será reaberta para pacientes externos quando a doente tiver alta. Até esta terça-feira, outras seis pessoas permaneciam internadas no setor. Como o Procape dispõe de duas UTIs com capacidade para 18 vagas, houve um revezamento de pacientes.
Capacitação
A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) inicia nesta quarta-feira capacitação para profissionais da UTI e da Clínica Médica do HBL para prevenir, detectar e combater a bactéria multirresistente. O treinamento será fornecido aos médicos, enfermeiros, auxiliares e outros profissionais da Unidade de Terapia Intensiva e da Clínica Médica.
Em agosto, o mesmo treinamento intensivo foi realizado com os profissionais do Hospital Agamenon Magalhães, onde a bactéria Enterococcus faecium foi identificada pela primeira vez em seis pacientes e, do Hospital da Restauração, ambos no Recife. A próxima unidade será o Procape.
Nos próximos dias, o Hospital Agamenon Magalhães reabrirá sua UTI geral adulto para novos pacientes. Atualmente, seis pacientes estão colonizados pelo VRE, sendo dois na UTI de adulto e quatro no isolamento clínico do Agamenon Magalhães.