Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2026

Hospitais de Campanha encerram atendimentos no Rio

Sexta, 20 de Maio de 2005 às 08:44, por: CdB

Os Hospitais de Campanha da Marinha, no Campo de Santana, e da Aeronáutica, no Centro, encerram, nesta sexta-feira, suas atividades no Rio de Janeiro. Instaladas no auge da intervenção federal para controlar a crise instalada na saúde pública da cidade, as barracas serão desmontadas após o fim do expediente, às 17. No último dia de funcionamento do hospital de campanha da Marinha, no Campo de Santana, no centro do Rio, o movimento é bem menor do que a média de 750 atendimentos diários (cerca de 45% de casos de clínica médica) registrada ao longo de quase dois meses de atividades.

De acordo com o Ministério da Saúde, isso será possível porque alguns postos de atendimento serão ampliados.

- Os hospitais surgiram para suprir o déficit da rede básica, a rede ambulatorial, e esse objetivo foi alcançado. As forças armadas se mostraram solidárias com a população do Rio e não cumpriram apenas seu papel constitucional, mas foram úteis num momento crítico - disse Jorge Darze, presidente do Sindicato dos Médicos (Sinmed).

Com o fim do atendimento, Darze acredita que o ministério criará uma contraproposta para atender aos pacientes. Segundo ele, o estado de calamidade na saúde do Rio continua e o que foi feito nos últimos meses não foi suficiente.

O Hospital de Campanha da Aeronáutica foi o primeiro a ser montado em 21 de março, na Zona Oeste, dois dias depois de ser definido o apoio da Aeronáutica ao Ministério da Saúde. Por lá, passaram 10.217 pacientes até quinta-feira. A especialidade mais procurada foi clínica médica com 5.320 atendimentos. Ortopedia e pediatria ocuparam o segundo e terceiro lugares com 2009 e 1696. No início das atividades, pessoas da Baixada Fluminense e de outras cidades do estado chegaram a procurar o hospital. O limite máximo era de 400 atendimentos por dia.

O Hospital da Marinha foi montado no Campo de Santana no dia 28 de março, depois de uma briga com a prefeitura, que chegou a dizer que usar o local era ''um crime contra a cidade e para o patrimônio''. A unidade oferecia serviços nas áreas de ginecologia, pediatria, ortopedia e clínica geral.

No período, foram feitos no hospital mais de 34 mil consultas e outros procedimentos. As tendas da Marinha foram montadas para ajudar a desafogar a emergência do Hospital Souza Aguiar, considera a maior da América Latina.

Ao fazer um balanço dos trabalhos no hospital de campanha, o diretor de Saúde da Marinha, Helton Setta, disse acreditar que a rede de saúde do Rio já tem condições de atender aos casos mais recorrentes na unidade da corporação no Campo de Santana.

- O Ministério da Saúde conversou com os secretários de Saúde municipal e estadual para encontrar o melhor caminho para que o problema fosse resolvido da melhor forma possível. Imagino que esse caminho já tenha sido encontrado, uma vez que estamos autorizados a terminar os atendimentos a partir desta sexta-feira - conclui o vice-almirante. 

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