O horário eleitoral gratuito na televisão é a vitrine oficial de propaganda dos candidatos à Presidência, mas também esconde desafios. Dilma Rousseff (PT), terá que mostrar que pode se comunicar bem com o eleitor sem ser totalmente ofuscada pelo seu grande padrinho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e consolidar seu nome junto ao eleitorado. Já José Serra (PSDB) deve tentar mostrar que é melhor que a rival, mas sem trombar de frente com o atual governo, de altíssima aprovação popular. A terceira colocada nas pesquisas de intenção de voto, Marina Silva (PV), por seu lado, contará com o apoio do renomado cineasta Fernando Meirelles para passar seu recado em pouco mais de um minuto. Pouco carismáticos se comparados à desenvoltura de Lula, os principais candidatos contam com diferentes armas para o embate que se iniciará a partir da próxima terça-feira, em uma disputa até agora bastante acirrada entre Dilma e Serra, com pequena vantagem para a primeira em algumas pesquisas. Veja a seguir, alguns temas e desafios para os candidatos que devem permear os programas eleitorais: A ex-ministra da Casa Civil leva a vantagem de ser a candidata de Lula, o presidente mais popular da história recente do país, com um governo com avaliação ótima ou boa para 77% dos brasileiros, segundo a última pesquisa Datafolha, em um contexto econômico próspero. – O aumento de renda tende a premiar o governo –, disse o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria. – Mas ela tem um desafio mais forte (do que Serra), que é consolidar seu nome junto ao eleitorado –, acrescentou. O jornalista e marqueteiro João Santana, responsável pelo programa petista, guarda os detalhes da produção sob sete chaves, mas em termos de conteúdo, ele deve mirar na biografia de Dilma e na experiência de governo ao lado de Lula. – O programa vai mesclar a história pessoal dela, a relação dela com o presidente Lula e a história do governo –, disse o deputado federal André Vargas (PR), secretário de Comunicação do PT. A questão econômica será central, afirmou o deputado, e o programa vai mostrar os programas de governo como o Minha Casa, Minha Vida, o Bolsa Família e a "ascensão social de milhões de brasileiros". O oposicionista José Serra tem a biografia e a experiência política a seu favor, e as diretrizes do programa tocado pelo jornalista Luiz Gonzalez devem valorizar esses pontos. O tucano já disputou várias eleições e é um político de peso no cenário nacional. – Serra é mais conhecido dos eleitores, nisso ele sai na frente –, avaliou o cientista político Fernando Lattman-Weltman, da FGV-RJ. Ao mesmo tempo, ele terá o desafio de conquistar parte do eleitorado que aprendeu a gostar do presidente Lula nos últimos oito anos, acrescentou. Por isso, não deve polemizar sobre políticas sociais, embora tente se voltar para o lulismo conservador, o que fica evidente nas críticas que dirigiu à política externa do governo petista recentemente, dizem analistas. Apelar para críticas muito pesadas também não seria uma boa opção para Serra, já que é senso comum que isso não agrada aos eleitores. – A população detesta cacetada, confronto –, explicou a professora Mariângela Haswani, especialista em comunicação governamental e política na Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo (ECA-USP). O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), deu pistas de que o partido não pretende tomar esse rumo. – Nós vamos, o tempo todo, respeitar o adversário e a democracia –, disse ele quando questionado sobre o conteúdo do programa tucano. Interlocutores da campanha apostam que a força do programa está em amplificar o conhecimento da população sobre os candidatos e que portanto o ganho para Serra na comparação das biografias ficaria evidente. – Há uma crescente convicção da população de que ela (Dilma) tem dificuldade no domínio das questões nacionais –, afirmou uma fonte próxima à campanha. A candidata do PV à Presidência espera que o premiado cineasta Fernando Meirelles (de Cidade de Deus) garanta o máximo de criatividade no pouco mais de um minuto que seu programa de TV terá. Ela, que conta com um grupo de notáveis de área ambiental, acadêmica, empresarial e artística para ajudá-la, deve ir alternando vários formatos cênicos para chamar a atenção dos espectadores para sua mensagem focada na ética política e na sustentabilidade. O coordenador da campanha, João Paulo Capobianco, indica que o objetivo é surpreender o eleitor. – Temos que otimizar nosso tempo, passar informação, estimular –, afirmou. Segundo Celso Yamashita, diretor-geral dos programas de TV de Marina, a equipe que a acompanha a todos os eventos já começou a filmar cenas que serão usadas nos programas, principalmente em viagens pelo Brasil, como em visitas recentes a Goiás e Piauí. – Serão poucos minutos no total para passar o recado –, resumiu Yamashita.
Horário eleitoral na TV é vitrine, mas também traz desafios
O horário eleitoral gratuito na televisão é a vitrine oficial de propaganda dos candidatos à Presidência, mas também esconde desafios. Dilma Rousseff (PT), terá que mostrar que pode se comunicar bem. Já José Serra (PSDB) deve tentar mostrar que é melhor que a rival, mas sem trombar de frente com o atual governo.
Quinta, 12 de Agosto de 2010 às 09:16, por: CdB