Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Hora de trocar R$ 0,20 por Eleições Parlamentares Já!

Por Gilberto de Souza - Não foi por apenas R$ 0,20 que milhões de brasileiros tomaram as principais cidades deste país. Parece que este ponto ficou bem claro.

Quarta, 19 de Junho de 2013 às 21:25, por: CdB
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Manifestações tendem a se mobilizar por assuntos mais definitivos para a estrutura da nação brasileira
Não foi por apenas R$ 0,20 que milhões de brasileiros tomaram as principais cidades deste país. Parece que este ponto ficou bem claro. Tanto que os governadores dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, os mais economicamente ricos e populosos do Brasil, com a assinatura dos prefeitos das duas capitais, desistiram de aumentar os preços das passagens do transporte público. Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Sérgio Cabral Filho e Eduardo Paes ainda guardam a lembrança viva do cheiro de pneus queimados, gás de pimenta e da pólvora que mandou balas de borracha a torto e a direito sobre jovens brasileiros indignados com o sistema que começa a ruir, aqui e no mundo. A revolta se catalizou nos R$ 0,20, mas a vitória ainda está por vir. Em apenas alguns dias, os vinténs que serviram de estopim para o Brasil entrar de vez na revolução mundial em curso, hoje valem bilhões. Nem são de dólares ou reais esses bilhões, mas de vidas, de seres humanos decididos a não mais aceitar que 1% da população mundial seja tão vil a ponto de controlar a comida, o ônibus, a escola, a alegria, a vida de 99% dos terráqueos. Quem são eles, esses que se intitulam donos da riqueza que o suor de todos cria, molda, constrói sob sol e chuva? Que direito têm de se dizerem donos do poder? Que poder etéreo é esse que, diante do brado retumbante da nação brasileira, nas ruas de suas cidades, nos espaços públicos de todos nós, volta atrás e tira R$ 0,20 no preço do direito de ir e vir? O coma profundo em que o Brasil mergulhou, golpeado por uma ditadura de duas décadas, chega ao fim com o despertar de uma pátria, no exercício sagrado de sua existência. Quem está, ou pensa estar, no controle da situação, mal sabe que jaz na História. Ainda não percebeu que não representa mais os brasileiros de hoje, que emergem do sono profundo para o pulsar das ruas, para uma sociedade em transformação. Para as eleições do ano que vem, falta pouco mais de um ano. Já, já escolheremos, em 2014, quem irá dormir no Palácio da Alvorada. Mas, precavido contra o clamor das ruas, o Parlamento é mais esperto. Renova-se de dois em dois anos. Gradualmente, como foi a "abertura" conduzida por aquele general que gostava do cheiro dos cavalos e detestava o do povo, com o único objetivo de preservar esse mesmo sistema que o grito das ruas visa derrubar. E, se o objetivo é pacífico, a mudança precisa ser no voto. Na determinação expressa, nas urnas, de todos aqueles que enfrentaram, enfrentam e enfrentarão de peito aberto a truculência do regime, para anunciar que o novo sempre vem. Não há mais porque manter um parlamentar capaz de aprovar, na histórica Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, um ato medieval como esse da "cura gay". Muito menos cada um daqueles que votaram por um acinte desses, contra a inteligência mais pueril entre os nacionais. Os exemplos se proliferam na mediocridade que ampara o jogo rasteiro dos dinheiros amealhados neste balcão de negócios em que se transformou o Poder mais democrático, aquele que deveria ser o corte perfeito da sociedade brasileira. Se algum dia o foi, hoje não é mais. O Congresso não mais representa o país e as manifestações, que imaginavam ser por R$ 0,20, agora demonstram este fato à luz das chamas, em plena Avenida Paulista. Na Avenida Rio Branco inteira. Somente uma nova Casa poderá votar as reformas agrária, urbana, dos transportes, da educação, da saúde, da segurança. Apenas um Legislativo formado pelas várias vozes que ecoaram, a uma só voz, daqueles que, simbolicamente, tomaram o teto dos edifícios desenhados pelo arquiteto comunista Oscar Niemeyer, poderá levar adiante o som claro que emana dos brasileiros. Não há tempo a perder. O despertar de uma nação é, invariavelmente, agitado. Os franceses que o digam. Os novos tempos mostram que a integração promovida pelas redes sociais, pela internet, esculpe com a talhadeira de ponta ou o algodão mais suave, o contorno das regras válidas neste pedaço de chão que habitamos no mundo. A força da martelada depende mais do escultor do que da estátua, e este anda com seu humor nas grimpas. O recado dos manifestantes que a presidenta Dilma Rousseff achou bacana: "Desculpem o transtorno, mas estamos construindo um país", soa, na realidade, mais como aviso sério do que um mero lembrete de que os tempos mudaram. Os milhões de brasileiros que foram e continuam indo, cada vez mais e mais, em números cada vez maiores, para as praças, ruas e avenidas, de norte a sul deste quase continente, com certeza não se contentarão em ver removidos os R$ 0,20 da roleta. Mas pensarão com carinho na possibilidade de se livrar deste entulho de interesses venais que ora chamam de Parlamento. Se o problema é votar, basta convocar hoje mesmo: Eleições Parlamentares Já! Gilberto de Souza é jornalista, editor-chefe do Correio do Brasil.
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