Difícil de engolir. A média do preço do álcool, mesmo em plena safra, voltou a subir em todo o Brasil. A constatação é de levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP) que mostra que nos postos o combustível ficou 2% mais caro na semana passada, na comparação com os sete dias imediatamente anteriores.
Trocando em miúdos, o brasileiro pagou, em média, R$ 1,95 pelo litro de álcool na semana passada, ante R$ 1,91 uma semana antes. É a primeira alta observada no álcool desde maio. Em São Paulo, a alta chegou a 3,27%. O litro do álcool era encontrado, em média, por R$ 1,73 nos postos do Estado. Na semana anterior, custava R$ 1,68 médios.
Em parte, a flutuação nos preços do álcool, dá-se pela transição que vive o setor. Esse insumo, apesar do seu alto consumo – ou 331 mil barris diários em março, quase 10% a mais que no mesmo período em 2010 - ainda não alcançou o status de commodity. Ou seja, grande parte da sua comercialização ainda não se dá em grandes contratos de longo prazo. Isso favorece as flutuações nas cotações, sujeitas a grandes especulações, e aumenta o risco de desabastecimento.
Hora de regular
Por isso mesmo, defendo que tanto a ANP como a Petrobras regulem esse mercado: a primeira como agência e a segunda como empresa produtora. Não dá mais para deixar o mercado como está. O pior é dar incentivos e financiar as empresas do setor via BNDES, com juros subsidiados, e depois ter de assistir às manipulações do preço do combustível.
O próprio diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, que a Agência está trabalhando para que não haja desabastecimento de etanol no Brasil. A primeira resolução da ANP como reguladora do mercado de etanol foi sobre garantia de abastecimento e já está em consulta pública. A audiência, informa a ANP, será na próxima 6ª. feira. Segundo Lima, o objetivo da Agência é ter as resoluções para regulação do mercado de etanol prontas e aprovadas antes do prazo de seis meses estipulado pela Medida Provisória 532.
A intenção da ANP é regular toda cadeia do etanol, desde a produção e a movimentação, ao abastecimento em todo o país, incluindo as atividades de exportação e importação de etanol.
Aumento da produção
Na ponta da Petrobras, Miguel Rossetto, presidente da Petrobras Biocombustível, garante que a empresa está preparada para fazer frente à crescente demanda do mercado brasileiro de etanol, combustível já responsável por 50% do abastecimento dos automóveis leves no Brasil.
Só para etanol, estão planejados aportes de US$ 1,9 bi até 2014. Eles deverão acrescentar 2,6 bi de litros do produto à atual capacidade de produção da Petrobras Biocombustível, estimada em 1 milhão de metros cúbicos de etanol. “Vamos crescer perto de 200% no período”, frisou.