Centenas de milhares de pessoas vestidas de branco tomaram as ruas de Hong Kong nesta quinta-feira para demonstrar sua frustração com o domínio chinês e para desafiar a recusa de Pequim de permitir que elas escolham seus próprios líderes.
Com cartazes nas cores verde e preto e protegidos do sol por guarda-chuvas, manifestantes gritando palavras de ordem como "devolvam o poder ao povo, lutem pela democracia" marcharam por diversos quilômetros a partir de um parque até os escritórios do governo no Centro da cidade.
Os organizadores estimaram que no total pelo menos 350 mil pessoas participaram da marcha no sétimo aniversário da devolução da ex-colônia britânica para a China, um dia que é feriado público.
"Estou aqui para dizer a Pequim que queremos democracia, queremos eleger nosso próprio chefe executivo", disse o funcionário de construção civil Chan Sum Kee, 54, que ressaltou estar participando de uma manifestação pela primeira vez em sua vida. Muitos manifestantes usavam camisetas brancas, representando a esperança por mais democracia e liberdade.
No ano passado, meio milhão de pessoas tomaram as ruas de Hong Kong usando roupas negras para simbolizar sua frustração com o governo, incluindo a proposta de lei que tornaria ilegais atos de traição contra a China.
Antes, em cerimônia simples - algo incomum - para celebrar a entrega de 1997, o líder de Hong Kong escolhido por Pequim fez apenas uma pequena menção ao debate sobre eleições, dizendo a autoridades que a democracia total virá de maneira gradual.
"De acordo com a Lei Básica (a Constituição de Hong Kong), chegar ao sufrágio universal gradualmente é o nosso objetivo comum", disse Tung Chee-hwa em idioma cantonês.
Ao contrário de anos anteriores, nenhum líder chinês participou da cerimônia.
Pequim está observado o protesto de perto e enviou uma equipe para Hong Kong para monitorar o ato. A China apertou a política em relação a Hong Kong em abril, quando negou o sufrágio universal em 2007, ano em que será escolhido o novo chefe executivo da cidade.
Autoridades chinesas também aumentaram a repressão a ativistas da democracia, os quais classifica de traidores.