Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Honestidade intelectual e academicismo

Quinta, 16 de Junho de 2011 às 06:40, por: CdB

Por Haroldo Pacheco da Silveira Santos 16/06/2011 às 12:19

Exatidão, correção, ciência, vaidade, etc.

Segundo mensagem do livro "O Céu e o Inferno" de Allan Kardec um espírito que na Terra tinha sido muito bem conceituado no lado de lá da vida afirmou que existe um abismo entre a honestidade perante os homens e a honestidade perante Deus. Por outro lado alguns dizem que honestidade não tem gradação, ou se é honesto ou não.
Acho que as duas proposições estão certas. No plano em que vivemos alguns poucos somos até contra qualquer mentirinha (e nem sempre por motivação moral somos contra) mas é quase impossível escapar de uma imprecisão nas palavras de vez em quando, nunca faltar com a honestidade verbal. Eu por exemplo acho que já abusei da ambiguidade de sentidos nas palavras. Já meu costume de colocar as fontes de pesquisa todas no final do texto é mais imprecisão, pressa e informalidade do que tentativa de fugir de explicações e esconder algumas lacunas.
A perda de tempo, a desconfiança excessiva e certos comentários são também faltas contra a honestidade, assim como o uso de certos recursos contra competidores ou o endeusamento de instituições e modismos.
Faço este preâmbulo para dizer que a honestidade intelectual de alguém não depende de seu apego às regras da academia. Este apego às vezes é até ridículo.
Mestrado em Educação não cria um educador, não compra empatia e personalidade dinâmica. Título de doutor honoris causa pode ser mera conveniência política ou bajulação.
Em um livro sobre o tipo humano pré-histórico da Luzia um dos autores refere-se muito ao outro autor pelas iniciais (WAN) e pela expressão "um de nós". Parece até falsa modéstia. Todo mundo sabe não só por causa da orelha do livro que há muitos anos Walter Alves Neves bate em cima da tecla do povoamento das Américas. Provavelmente ele tem muito mais conhecimento de Antropologia que eu mas um bom professor que desperta interesses intelectuais em milhares de alunos faz mais que nós dois juntos.
Pesquisadores e acadêmicos são necessários, ainda mais com o excesso de informações muitas vezes não fidedignas. Mas é preciso relativizar a importância do academicismo. Cansei de ouvir nutricionistas que entendem menos de nutrição do que quem costuma ler revistas semanais. Não faz muito tempo estava na lista dos best-sellers um livro com um título que diz tudo: "O que seu médico não sabe sobre Medicina Nutricional pode estar matando você". Neste caso o gerúndio está mais do que correto.

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