O governo interino de Honduras suspendeu a isenção de vistos para os brasileiros em resposta à medida do governo brasileiro de exigir visto dos hondurenhos.
– Em aplicação ao princípio de estrita reciprocidade, (o governo interino) decidiu suspender os acordos sobre isenção de vistos em passaportes comuns, diplomáticos ou de serviço –, com o Brasil, disse um comunicado emitido pela chancelaria hondurenha neste domingo.
O Itamaraty anunciou na última quinta-feira a suspensão temporária do acordo de isenção de vistos com Honduras, em uma tentativa de intensificar a pressão para a assinatura do acordo de San José, que prevê a restituição de Manuel Zelaya ao poder.
As novas medidas do governo brasileiro foram anunciadas no mesmo dia em que o governo dos Estados Unidos anunciou a suspensão de uma série de programas de auxílio a Honduras. Isso significa que o país deve deixar de receber mais de US$ 200 milhões em ajuda americana, representando o golpe mais forte sofrido pelo governo liderado por Roberto Micheletti desde que Manuel Zelaya foi deposto.
Drogas - Em represália, autoridades do regime hondurenho ameaçaram desistir do combate ao narcotráfico que passa por seu território rumo aos Estados Unidos.
Para o ministro de Defesa do governo interino, Adolfo Sevilla, a suspensão da ajuda americana vai afetar os Estados Unidos.
– Se não temos apoio do país que é o maior consumidor (de drogas) do mundo, chegará mais drogas à eles –, afirmou. – Não temos fundos, então, definitivamente, será mais difícil para eles –, acrescentou.
O isolamento do governo liderado por Roberto Micheletti vem aumentando desde o golpe contra Zelaya, em 28 de junho. A exemplo da maioria dos países da América Latina, os Estados Unidos também adiantaram que, sob as atuais condições, não será possível reconhecer o resultado das eleições presidenciais em Honduras, que estão marcadas para o mês de novembro.
O governo interino se recusa a assinar o acordo de San José, que prevê, entre outros pontos, o retorno de Zelaya à presidência, a antecipação das eleições gerais agendadas para novembro e o abandono da proposta de consulta popular para convocar uma Assembleia Constituinte – o motivo alegado pela oposição para o golpe.
Na sexta-feira, apesar do isolamento, Micheletti, que participou de uma manifestação em Tegucigalpa contra o presidente da Venezuela Hugo Chávez, declarou que “vamos morrer se for necessário para defender nossa pátria (...) nem um passo atrás, nem para tomar impulso", afirmou. A seu lado, uma mulher trazia um cartaz em que se lia " Não preciso visto para percorrer o país mais belo do mundo: Honduras, terra livre de índios".
A Frente de Resistência Contra o Golpe , que há 70 dias realiza protestos nas ruas exigindo a restituição da ordem constitucional e o regresso de Zelaya ao poder, ainda irá definir se participará das eleições ou se fará campanha pelo voto nulo.