Honduras abre caminho para retorno de Zelaya
TEGUCIGALPA (Reuters) - O Ministério Público de Honduras anunciou nesta sexta-feira que não vai recorrer da decisão judicial que anulou dois julgamentos em que o ex-presidente Manuel Zelaya era acusado de corrupção, o que permite que ele deixe o exílio e volte ao país.
Zelaya, aliado do presidente venezuelano Hugo Chávez, foi deposto num golpe de Estado em junho de 2009, quando preparava um referendo que, segundo seus adversários, permitiria que ele se perpetuasse no poder.
Depois de se refugiar na embaixada brasileira, o político partiu para o exílio na República Dominicana, e dizia que não aceitaria voltar a Honduras para ser julgado.
Na segunda-feira, um tribunal declarou a nulidade dos dois julgamentos de Zelaya pelas acusações de fraude, abuso de poder, falsificação de documentos e desvio de 2,8 milhões de dólares para uso na propaganda para o referendo que não aconteceu.
"O Ministério Público vai acatar a decisão, e a partir de hoje estou dando instruções aos promotores do caso para que não interponham o recurso de amparo", disse o procurador-geral Luis Rubí.
O presidente Porfírio Lobo, opositor de Zelaya eleito depois do golpe que derrubou o ex-presidente, vinha pressionando a Justiça a arquivar os processos, pois isso facilitaria a readmissão do país na Organização dos Estados Americanos, da qual Honduras foi suspensa devido ao golpe de 2009.
(Reportagem de Gustavo Palencia)
Reuters