Empresa disse que demissões foram motivadas pelos desastres no Japão; 800 trabalhadores ainda têm futuro indefinido
19/05/2011
Aline Scarso
Da redação
A Honda anunciou a demissão de 400 metalúrgicos na tarde de quarta-feira (18), da planta de Sumaré (SP). Em nota, a montadora japonesa confirmou que irá reduzir em 50% a produção diária de automóveis de 600 para 300 unidades e, com isso, passará operar em dois, ao invés dos três turnos. As demissões representam um corte de 12% no efetivo da fábrica.
A empresa disse que “lamenta a medida” e estuda alternativas para os outros 800 trabalhadores ligados diretamente à produção que ficarão “ociosos”. As demissões foram motivadas pelos desastres naturais ocorridos em março no Japão, que prejudicaram o fornecimento de equipamentos eletrônicos e câmbio. “Em função deste cenário, a Honda teve de efetuar um ajuste na produção de sua fábrica em Sumaré (SP) para adequar-se ao ritmo de retomada das fábricas japonesas”.
O Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região disse que irá entrar com uma ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para reverter as demissões pois os trabalhadores ainda estavam em processo de negociação. Para a empresa, entretanto, “todas as alternativas para viabilizar a fábrica” feitas com o sindicato se esgotaram.
Os metalúrgicos brasileiros chegaram a apresentar uma proposta de redução de horas de trabalho, o que garantiria a manutenção de todos os empregos na planta. De acordo com a proposta, a fábrica poderia continuar produzindo 600 carros em três turnos de cinco horas e meia cada. “Nessa proposta também estão previstas as férias de 400 metalúrgicos a cada mês para poder fechar a conta. Dessa forma, não haveria nenhuma demissão, e depois nós conversaríamos quando a situação melhorasse”, afirmou o presidente do sindicato, Jair dos Santos.
“Para preservar os empregos, a empresa teria que reduzir só um pouco sua margem de lucro. Em média, cada veículo produzido garante de 10% a 12% de margem de lucro para a fábrica. Na proposta de turno de cinco horas e meia, a produção de carro por trabalhador cairia de 0,18 para 0,12 por dia. O lucro retirado sobre a força de trabalho já é exorbitante, mas acontece que a Honda não quer nenhuma redução da taxa de lucro”, explica.
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