Rio de Janeiro, 11 de Agosto de 2026

Homossexuais anunciam que vão queimar texto do Vaticano em protesto

Sábado, 02 de Agosto de 2003 às 05:53, por: CdB

Militantes do Grupo Gay da Bahia (GGB) deverão queimar uma cópia do documento lançado anteontem pelo Vaticano no qual a Igreja Católica se opõe à legalização de uniões entre homossexuais e à adoção de crianças por casais gays. O documento, que classifica como "imoral" e "nocivo" a minoria sexual, irritou líderes de movimentos organizados de direitos humanos em todo o mundo.

A manifestação do GGB deverá ocorrer em frente à Catedral Basílica de Salvador, sede do arcebispado primaz do Brasil, na segunda-feira. Os militantes vão distribuir cópias de um formulário em que defendem a negação do batismo católico. O documento foi baseado no código canônico e elaborado por um grupo gay espanhol que incentiva o "desbatismo" como reação à campanha do Vaticano.

Em São Paulo, um grupo de homossexuais pretende realizar uma peculiar manifestação no próximo domingo, em protesto contra a decisão de um shopping de vetar o beijo entre dois homens.

Os casais de homossexuais que protagonizarão o protesto ocuparão a praça de alimentação do centro comercial e se beijarão em frente a todos os clientes do estabelecimento. O palco do "beijaço gay", como a manifestação foi batizada, será o Shopping Frei Caneca, localizado num luxuoso bairro da cidade, anunciaram nesta sexta-feira seus organizadores.

— Vamos mostrar que somos cidadãos. Se casais heterossexuais se beijam em público, nós também podemos. A lei que condena a discriminação tem que ser cumprida — afirmou o presidente do Grupo Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor, Lula Ramires.

O motivo da ira das organizações de defesa dos direitos dos homossexuais foi a decisão dos administradores do Shopping Frei Caneca de abordar dois homens que estavam se beijando em um dos corredores do centro comercial. O fato foi denunciado por seus protagonistas, um jornalista e um publicitário, de 25 e 21 anos, respectivamente, em uma delegacia de polícia e em organizações de defesa dos direitos humanos.

Segundo os autores da denúncia, depois de ter visto o casal se cumprimentando com um beijo, um dos seguranças do shopping comunicou-lhes que estavam proibidos "beijos, abraços e carinhos" entre homossexuais.

— Quando perguntei se o beijo entre um homem e uma mulher era permitido, ele me disse que isso era diferente. Decidi chamar o chefe de segurança do centro comercial, que reiterou a norma — afirmou o jornalista João Xavier, em declarações à imprensa.

Os acusados, em um comunicado, explicaram que, "em todos os casos de excesso, cometidos por qualquer pessoa, os seguranças têm a instrução de abordar os envolvidos e informar-lhes que seu comportamento não é o adequado para o local".

A administração, que alega estar protegendo as crianças que freqüentam o shopping, nega que sua norma discrimine os homossexuais e assegura que a ordem também implica os casais heterossexuais. 

Tags:
Edições digital e impressa