Milhares de homossexuais e lésbicas israelenses -amaldiçoados pela ortodoxia judaica- estão prometendo realizar nesta quinta-feira sua primeira passeata anual pelo centro de Jerusalém, cidade santa para as três grandes religiões monoteístas.
Um dos líderes da comunidade 'gay' israelense, Hagai Elad, acusou o prefeito da cidade, Uri Lupoliansky, membro da comunidade ortodoxa ou 'jaredim' (os temerosos de Deus), de tentar impedir com ''argúcias burocráticas'' a marcha, cujas duas edições anteriores aconteceram em Tel Aviv. Elad afirmou que Lupoliansky proibiu que os manifestantes levassem as bandeiras do arco-íris da comunidade gay.
O prefeito de Jerusalém, entretanto, está pressionado por um destacado cabalista, o rabino David Basri, que exigiu que ele proíba a manifestação, que será encerrada no Parque do Sino com uma grande festa, e profetizou que os homossexuais e as lésbicas ''reencarnarão em coelhos''.
O Levítico bíblico condena com a pena de morte os homossexuais, aos quais considera degenerados, e prescreve que ''um homem não usará vestimentas de mulher''.
O porta-voz da Prefeitura, Guidi Shmerling, declarou que uma marcha dessa natureza não requer a permissão municipal. Por sua parte, as autoridades policiais se encarregarão de garantir a ordem através de estritas medidas de segurança.
Calcula-se que um terço dos 400.000 moradores judeus de Jerusalém pertencem à comunidade dos 'Jaredim', que há alguns anos impediu, mediante violentos protestos, a colocação de cartazes de publicidade nos quais os modelos aparecem em maiô ou com roupa íntima.
Um membro do Conselho Municipal de Jerusalém, Saar Netanel, recebeu ameaças de morte por participar da organização do desfile pelo centro comercial de Jerusalém, informou a imprensa local.