Um homem-bomba estacionou a van que dirigia perto de um mercado nesta terça-feira, convenceu trabalhadores a entrarem no carro com promessas de trabalho e se explodiu, matando ao menos 59 pessoas em um dos maiores ataques no Iraque este ano.
A explosão na cidade xiita de Kufa feriu outras 132 pessoas e deu início a enfrentamentos entre a polícia e manifestantes, em mais um duro golpe contra as tentativas do primeiro-ministro, Nuri al-Maliki, de promover a reconciliação nacional e impedir uma guerra civil.
Maliki, um xiita que prometeu lançar um diálogo com grupos rebeldes sunitas ao tomar posse em abril, disse que vai "caçar e punir" os responsáveis pelo atentado.
A polícia local foi atacada com pedras pela multidão enfurecida. Muitos pediam que as milícias controladas pelo clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr passem a cuidar da segurança de Kufa, que fica perto da cidade sagrada de Najaf, 160 Km ao sul de Bagdá.
A explosão, ocorrida entre 50 a 100 metros da mesquita xiita de cúpula dourada de Kufa, dividiu ao meio o microônibus pouco depois de ele ter deixado o mercado com o grupo de trabalhadores.
- Ele chegou perguntando por trabalhadores. Quando eles entraram no microônibus, o veículo explodiu - disse uma testemunha.
Roupas manchadas de sangue ficaram espalhadas junto aos escombros. A multidão atacava a polícia aos gritos de Vocês são traidores! Não estão fazendo o seu trabalho! Agentes americanos!
A polícia atirou para o alto com seu fuzis automáticos para dispersar a multidão, aumentando a confusão. Alguns civis, que pareciam ser seguidores de Moqtada al-Sadr, carregavam armas.
O ataque foi um dos mais sangrentos desde que o governo de união nacional de Maliki, que reúne sunitas, xiitas e curdos, tomou posse em abril prometendo controlar os conflitos sectários.
No início deste mês, um caminhão-bomba devastou o subúrbio de Sadr, a leste de Bagdá, matando pelo menos 62 pessoas. A região é um bastião de Al-Sadr, que por vezes vai a Kufa para rezar e que é uma figura política importante no governo de Maliki.
O ataque em Kufa acontece um dia após homens armados terem matado mais de 50 pessoas em Mahmudiya, perto de Bagdá. O governador de Najaf, Assad Abu- Kalal, disse que a culpa pelo atentado em Kufa é de "membros criminosos do Baath (partido de Saddam Hussein) e terroristas de Mahmudiya".
Líderes religiosos e políticos xiitas têm advertido que os grandes ataques contra sua comunidade por supostos rebeldes sunitas significam que seus pedidos de moderação e de evitar retaliações estão sendo ignorados.
O presidente Jalal Talabani, que é curdo, pediu a religiosos das comunidades xiitas e sunitas que condenem a violência que, segundo ele, tem como objetivo desestabilizar o país e "criar um clima de desconfiança entre os cidadãos."