Homem-Aranha 2 estréia neste final de semana no Brasil com a maior cara de arrasa-quarteirão das férias. Com uma campanha maciça de divulgação, a seqüência do personagem aracnídeo criado por Stan Lee volta às telas com um novo inimigo e uma série de questões existenciais. Tobey Maguire e Kirsten Dunst voltam a fazer o par romântico Peter Parker e Mary Jane e Sam Raimi torna a realizar uma incursão ao gênero das super-produções.
Da sinopse e questões de super-heróis
Que existe realmente uma única direção que qualquer filme de super-herói deva fazer, já ficou óbvio. Como toda produção de abertura, o espectador é apresentado ao personagem e ao seu ponto de transformação, que o faz ficar naquela condição esquisita de salvador. Na primeira seqüência é que a coisa começa a desandar. Os lugares comuns prevalecem aqui.
Em Homem-Aranha 2, o personagem entra em uma crise existencial e chega a perder os seus poderes, inclusive mostrando sua condição para a pessoa que ama. O mesmo fez Bruce Wayne com Selina Kyle (Mulher Gato) em Batman, o retorno. E pela mesma falta de poder temporária passou Clark Kent em Superman II (as razões diferem, no caso do voador, sua fraqueza foi graças a uma armadilha, mas a condição de existir sem os poderes é a mesma de Parker). Questões como o amor incondicional e a perda de poderes parecem ser lacunas únicas que toda série de super-herói no cinema tem que enfrentar. Algumas até se saíram bem, como os dois primeiros filmes do Batman ou do Super-Homem. Já em Homem-Aranha, a coisa não fica tão boa.
Da direção
Raimi inovou com seu tosco Evil Dead, que é um marco no cinema "artesanal" americano dos últimos 30 anos. Sua presença como diretor de Homem-Aranha é tão inusitada como a de Ang Lee em Hulk. Esse último ainda tem um crédito por O tigre e o dragão.
O que é estranho em Homem-Aranha, e talvez esteja descompassado com o espírito do filme, são os resquícios desse toque artesanal. A cena em que o vilão, Doc. Ock, mata vários médicos em uma sala de cirurgia é puramente artística (montagem, mis-en-cène, fotografia). Já outras, como o próprio desfile do Homem-Aranha entre os arranha-céus, são charopadas, feitas sobre medida.
Público
O acabamento cuidadoso com os atores, as cenas de ação e o figurino fazem de Homem-Aranha 2 um produto de entretenimento imediato, mas confuso. À medida que a imagem fica ágil, a montagem acompanha a respiração dos personagens e acaba fracassando na tentativa de imprimir esse "batimento" ao público. E tudo se torna um pouco desalmado. A obra inaugural da franquia, quem em breve terá um novo capítulo, trazia um frescor que não se evidencia aqui. Mas deve agradar ao público pelo tratamento hiper-moderno das cenas de ação.
Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026
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