O cineasta americano Anthony Mann foi um dos mestres do western, mas nesta sexta-feira, no centenário de seu nascimento, a indústria parece ter esquecido seu legado.
Seus filmes continuam sendo clássicos, não só no gênero que era sua especialidade mas também nos épicos como El Cid (1961) e A queda do Império Romano (1964).
Em uma indústria obcecada pela última moda e por estrelas cada vez mais jovens, o centenário de Mann, nascido em 30 de junho de 1906, não é motivo de festas. Mas mesmo quando ainda estava vivo o diretor nunca foi dos mais reconhecidos.
Mann não alcançou o respeito de um John Ford ou a polêmica de um Sam Peckinpah, todos idolatrados, ao lado de Raoul Walsh e Howard Hawks, por levar o gênero do western à maturidade.
O oeste de Mann era mais complexo, quase neurótico. Seus filmes desconfiavam do herói e favoreciam personagens mais ambíguos, lembra o diretor e roteirista Walter Hill, amante do gênero.
James Stewart foi seis vezes o seu cowboy. Sob a direção de Mann, o "bom rapaz" de Hollywood teve que lutar contra sua imagem estereotipada e interpretar personagens distorcidos, atípicos na sua carreira.
Entre eles estão os de E o sangue semeou a terra (1952), O preço de um homem, (1953), Região do ódio (1955) e Um certo Capitão Lockhart (1955). Mas o mais importante é o primeiro deles, Winchester 73 (1950), em que Stewart segue a pista de uma espingarda roubada para vingar a morte de seu pai.
Os dois também trabalharam juntos em The Glenn Miller Story (1954), uma cinebiografia sem a violência de seus westerns. Com ela conseguiu uma de suas três candidaturas ao prêmio do Sindicato de Diretores, que nunca recebeu.
No Oscar, seu desempenho foi ainda pior. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas nunca reconheceu seus dotes como diretor.
Sequer foi indicado para o prêmio. Outro nome importante na vida de Mann é o da estrela espanhola Sara Montiel, com quem foi casado de 1957 a 1963. Os dois se conheceram durante a filmagem de Serenade (1956), quando Hollywood buscava na jovem Montiel uma nova Rita Hayworth.
Mas o amor não foi o bastante para dar à atriz o papel de Dona Jimena em El Cid, que ficou com Sophia Loren. Os dois se separaram em 1961.
O diretor, cujo nome verdadeiro era Emil Anton Bundsmann, morreu em San Diego, aos 61 anos. Estava filmando O espião de dois mundos (1968), que foi concluído por Laurence Harvey.
Desde a sua morte, a figura de Mann vem sendo resgatada por produtores defensores de um cinema de autor. Atualmente, é lembrado com respeito pela crítica, especialmente na Europa. Mas ele também ficou marcado como o cineasta que o ator e produtor Kirk Douglas demitiu no meio das filmagens de Spartacus (1960), para dar lugar a Stanley Kubrick.