Um programa de grande qualidade, sem renunciar ao glamour. De fato, este ano o mais importante festival suíço de cinema espera receber um leque de várias estrelas: Claudia Cardinale, Harrison Ford, Daniel Craig, Bruno Ganz e o ator de Bollywood, Kabir Bedi.
Apesar do cinema lusófono não estar presente na principal competição, Locarno terá curtas de Portugal e do Brasil e também o produtor português Paulo Branco, como presidente do júri do concurso internacional.
Olivier Père é uma pessoa de poucas palavras. Mas por trás da aparência de timidez e austeridade, ele sabe o que quer. Como diretor de programação da 64° edição do Festival Internacional de Cinema de Locarno - seu segundo ano no comando - ele foi bem-sucedido.
Na sua seleção não faltam filmes, nomes e rostos de peso. Lá estão presentes novos talentos, como também de personalidades confirmadas. O cinema suíço também terá uma presença de peso. Neste ano, a retrospectiva será dedicada a Vincente Minnelli.
Locarno vai exibir três filmes portugueses: o curta "Liberdade", dos diretores Gabriel Abrantes e Benjamin Crotty, na seção "Pardo do amanhã". Gabriel Abrantes já havia sido premiado com o "Leopardo de Ouro" na edição de 2010 com o curta "A History of Mutual Respect", que dirigiu em conjunto com Daniel Schmidt.
O curta "Alvorada Vermelha", de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, que venceu este ano o prêmio de melhor curta metragem nacional no IndieLisboa, vai passar dentro da programação especial de cortes de autor, na seção "Pardo do amanhã". Já o documentário "É na Terra Não é na Lua", do diretor Gonçalo Tocha, integra a seção "Cineastas do presente".
O produtor português Paulo Branco preside o júri do concurso internacional do festival.
Se os organizadores não escolheram nenhum longa-metragem brasileiro para as principais competições, pelo menos o concurso internacional de "Pardo do amanhã" terá curtas: "Men sana in corpore sano", do diretor Juliano Dornelles, e "Praça Wal Disney", de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira.
A edição de 2011 marca, sobretudo, o grande retorno de Hollywood e do cinema americano à Locarno, com seis filmes que serão projetados na "Piazza Grande", a principal praça da cidade. Entre outros sucessos, "Cowboys & Aliens", um filme de Jon Favreau interpretado pelo ator Harrison Ford (mais conhecido pelos papéis como "Indiana Jones") e Daniel Craig (do "James Bond").
No mesmo contexto, o filme americano de ficção científica "Super 8" já saiu de cartaz no mercado americano, com aproximadamente 120 milhões de dólares obtidos nas bilheterias e agora quer conquistar os principais mercados do planeta.
Ainda na Piazza Grande, os espectadores terão o privilégio de assistir "Friends with benefits" (Amigos com benefícios), do diretor Will Gluck, com a participação do ator/cantor Justin Timberlake. Outra atração será "Et si on vivait tous ensemble", de Stéphane Robelin, com a atriz Jane Fonda.
Como reprise, o festival escolheu "Um americano em Paris", uma homenagem a Vincente Minnelli. Além do clássico, mais 34 obras do cineasta norte-americano, considerado também um dos criadores do moderno musical, serão exibidas. A atriz e dançarina predileta de Minnelli, Leslie Caron, também estará presente em Locarno para apresentar sua biografia intitulada "Uma francesa em Hollywood.
A ressaltar que a Piazza Grande oferecerá sua tela para as últimas realizações de dois cineastas verdadeiramente independentes: o finlandês Aki Kaurismäki e o americano Kevin Smith.
Além do cinema americano, os organizadores do Festival de Locarno também convida uma das principais indústrias cinematográficas do mundo: Bollywood, o cinema indiano. A seção "Open Doors", apoiada pelo governo suíço através da Direção do Desenvolvimento e Cooperação (DDC), escolheu apoiar as produções do subcontinente através de uma seleção de 12 projetos.
Uma mesa-redonda irá promover o debate sobre o cinema indiano, com projeções de alguns clássicos, inclusive também na sua dimensão independente. Dentre as pessoas que foram convidadas a participar, está o ator indiano Kabir Bedi, que tem um papel em uma famosa série de televisão inspirada no romance de aventura do escritor italiano Emilio Salgari.
Ainda com apoio da DDC, que comemora seus cinquenta anos de existência, o espectador poderá ver o documentário interativo "L’autre côté du monde" (O outro lado do mundo), cujo tema é o cotidiano e os bastidores do engajamento suíço na luta contra a pobreza no mundo.
Em Locarno o cinema suíço terá uma participação importante. O programa de 2011 propõe 32 filmes helvéticos. Na Piazza Grande será exibida a coprodução "Hell", do diretor Tim Fehlbaum. Ou na seção não competitiva "hors concours", o documentário do suíço "Danilo Catti", intitulado "1 due 100 officine". Os programas especiais oferecem, dentre outros, oferece a versão restaurada de uma das obras-primas do cineasta Daniel Schmid: "Schatten der Engel" (Sombras do Anjo).
O festival também irá homenagear os diretores suíços Claude Goretta e Villi Hermann, além do conhecido ator suíço Bruno Ganz (conhecido pelos seus papéis nos filmes "O Ditador" ou "Asas do desejo", que recebe um prêmio pelo conjunto da sua carreira.
Prêmios de reconhecimento também serão dados à atriz Claudia Cardinale (Troféu "Leopardo" pelo conjunto da carreira), ao diretor Abel Ferrara (Leopardo de honra) e Mike Medavoy (Prêmio "Raimondo Rezzonico"), diretor e estúdio e produtor, cujos trabalhos mais conhecidos foram, dentre outros, os filmes "Um Estranho no Ninho" e "Apocalypse Now". Finalmente, o festival homenageia Jafar Panahi, o corajoso cineasta iraniano condenado a seis anos de prisão por ter criticado o regime do seu país.
"As estrelas de cinema virão brilhar no céu de Locarno, e o céu é sereno", declarou o presidente do festival, Marco Solari, durante a coletiva de imprensa realizada em Berna. "Após anos difíceis, nossa situação melhorou, inclusive financeiramente. Não apenas obtivemos a confiança da classe política em nível cantonal e federal, mas também do empresariado, que confirmou seu apoio."
E o experiente responsável, ainda declara: "Nessas bases, nós poderemos continuar a defender os valores artísticos do Festival de Locarno, com toda autonomia", declarou.
Françoise Gehring, swissinfo.ch
Adaptação: Alexander Thoele