Com o lançamento das seqüências de Shrek, Homem-Aranha e Harry Potter, a indústria cinematográfica se mostra pouco disposta a assumir grandes riscos nesta temporada, apostando em sucessos garantidos de bilheteria.
As crianças americanas, bem como os adolescentes e adultos, mal acabam de desfrutar momentos de grande êxtase e Hollywood já vem com mais uma seqüência para animar os fãs.
Em menos de um mês, os cinemas Arclight, localizados em pleno centro de Hollywood passaram a promover com uma decoração extraordinária a segunda parte de Shrek, em seguida, a seqüência de O Homem-Aranha.
O segundo filme do quadrinho criado em 1962 por Stan Lee foi lançado nesta quarta-feira em 4.152 cinemas da América do Norte e promete ser o novo hit do verão.
Com o lançamento do filme no meio da semana, sua distribuidora, a Columbia Pictures (filial da Sony Corp), confirma uma prática em Hollywood de adiantar a estréia de filmes com todas as chances de faturar durante um fim de semana prolongado, como a proximidade do feriado de 4 de julho.
Com um custo de produção estimado em US$ 200 milhões, os analistas avaliam que no final de semana de estréia uma bilheteria de US$ 850 milhões - US$ 350 milhões nos Estados Unidos e Canadá e US$ 500 milhões no mercado internacional.
A expectativa é grande, principalmente depois de que a primeira versão do filme bateu recorde de US$ 114 milhões na América do Norte no final de semana de estréia, patamar que ainda não foi ultrapassado.
"Quando se tem um filme que é tão bem sucedido como a primeira versão (do Homem Aranha, é difícil prever como será a seqüência. Não quero nem pensar nisso", disse Rory Bruer, presidente da distribuição nacional da Columbia Pictures.
O filme, além disso, foi um dos mais bem recebidos durante a estação. "No final, o Homem-Aranha tem um vilão que merece pena", escreveu uma crítica do jornal Los Angeles Times de página inteira.
"(O diretor) Sam Raimi fez um grande filme", escreveu Jeff Giles, da Newsweek. Mas Peter Parker (Tobey Maguire) ou seu alter ego Homem Aranha, deverão travar uma dura batalha contra outros heróis decididos a dominar a telona.
Além do ogro verde, uma noiva vingativa (Uma Thurman em Kill Bill 2) e um menino bruxo (a terceira versão de Harry Potter), a carteira da América do Norte está inundada de "remakes".
Para não deixar ninguém decepcionado, Hollywood oferece "remakes" de Around the World in 80 Days (que estreou no dia 16 de junho), The Princess Diaries, cujo lançamento está previsto para 11 de agosto, e o Rei Artur, que será exibida no cinema a partir de 7 de julho.
Muitos especialistas vêem estas figurinhas repetidas como clara demonstração de que Hollywood está com pouca coragem para assumir riscos. "Acredito que Hollywood é muito acomodada. Viram que certos filmes foram sucesso de bilheteria, então se sentem seguros em lançar Homem Aranha 2 e não um projeto novo", opinou Marty Grove, da revista Hollywood Reporter.
"Hollywood escolheu o caminho mais fácil, levando em conta os altos custos de se promover e realizar um filme hoje em dia", acrescentou.
Em uma indústria viciada em sacudir as bilheterias no final de semana de estréia, a estratégia de lançar filmes no meio da semana é reservada para os títulos "queridinhos" de Hollywood.
Esta primavera, Shrek 2 arrasou na estréias no dia 19 de maio e alcançou US$ 11,8 milhões em bilheteria.
O filme, que estreou em mais de três mil salas, bateu o recorde de estréia de uma animação no meio da semana, disse Jim Tharp, chefe da distribuição da DreamWorks, produtora do desenho. Um recorde que o Homem-Aranha tem como missão ultrapassar.