Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

HIV: Cientistas não vêem esperança em vacina

Cientistas não estão mais perto de desenvolver uma vacina efetiva contra o vírus HIV do que estavam há mais de 20 anos, quando começaram as pesquisas, disse o biólogo americano David Baltimore, que recebeu o prêmio Nobel de medicina em 1975. (Leia Mais)

Sexta, 15 de Fevereiro de 2008 às 12:03, por: CdB

Cientistas não estão mais perto de desenvolver uma vacina efetiva contra o vírus HIV do que estavam há mais de 20 anos, quando começaram as pesquisas, disse o biólogo americano David Baltimore, que recebeu o prêmio Nobel de medicina em 1975.

Baltimore, que também é presidente da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla e inglês), admitiu que alguns especialistas já falam na possibilidade de que uma vacina nunca será encontrada, mas também afirmou que a batalha é importante demais para ser abandonada.

Em seu discurso de abertura na reunião anual da AAAS em Boston, o biólogo disse que os diferentes caminhos para se encontrar uma vacina falharam até agora. “Mas a comunidade (científica) está deprimida porque não vemos nenhum caminho de sucesso esperançoso.” Baltimore acrescentou que apesar disso “essa depressão não está paralisando o desenvolvimento” das pesquisas.

— Este é um grande desafio porque, para controlar o HIV imunologicamente, a comunidade científica tem que vencer a natureza, fazer algo que a natureza, com sua vantagem de quatro bilhões de anos de evolução, não conseguiu —, disse ele.

— Nossa falta de sucesso pode ser compreensível, mas não aceitável —, acrescentou.

Uma chance

Para Baltimore, “o HIV encontrou maneiras de ‘enganar’ totalmente o sistema imunológico (…) então, temos que ser melhores do que a natureza”.

Tentativas de controlar o vírus usando anticorpos ou fortalecendo o sistema imunológico terminaram em fracasso.

Cientistas agora tentam uma solução a partir de novas técnicas, como terapia genética e com células-tronco, apesar de ainda estarem engatinhando nessas áreas.

— Nos seres humanos, você realmente só tem uma chance, que é tentar mudar os genes em células-tronco —, disse Baltimore, que também é um dos maiores especialistas mundiais no HIV.

— Então estamos tentando fazer isso, criar vetores que possam transportar genes que trariam vantagens terapêuticas —, afirmou.

Baltimore recebeu o Nobel de medicina em 1975 pela co-descoberta da transcriptase reversa, uma enzima que, mais tarde se descobriu, é usada pelo HIV para se replicar em células humanas.

Ele agora lidera o laboratório Baltimore, no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), com apoio da Fundação Gates, onde procura meios de fortalecer o sistema imunológico contra agentes infecciosos, particularmente o HIV.

Tags:
Edições digital e impressa