Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Histórias do 11 de setembro: 1973, 2001, 2011

Sexta, 16 de Setembro de 2011 às 09:51, por: CdB

11 de setembro de1973: eu era frade franciscano e estudante de Teologia da PUCRS, em PortoAlegre. Era noviço, para não dizer cru, na política e na militância. Mas desdeos tempos de Seminário escrevia poemas, que publicava no Caderno de Sábado doCorreio do Povo, então maior jornal gaúcho. E cuidava do Mural da Teologia,onde se penduravam textos, artigos e tudo que interessava aos estudantes. Erauma das formas de comunicação da época. Homenageei o presidente SalvadorAllende do Chile, ‘suicidado’ pela ditadura de Pinochet, com um poema lido noMural pelos estudantes de outros cursos da PUC que tinham aulas no mesmoprédio, entre os quais o estudante de economia João Pedro Stédile.Conhecemo-nos e formamos, com sucesso, um grupo para mudar o movimentoestudantil conservador da Universidade.

Allendefoi ‘suicidado’ por um golpe militar monitorado e apoiado pelos EUA, em temposde ditaduras em vários países da América do Sul, inclusive no Brasil.Enterrou-se a democracia por décadas, muitos foram assassinados, como VíctorJara no Estádio nacional chileno, outros exilados, tantos perseguidos.

11de setembro de 2001: eu estava reunido numa sala de hotel em Porto Alegre com aExecutiva do PT gaúcho, do qual era vice-presidente. De repente, chega anotícia. Um atentado, ou algo parecido, em Nova York: um avião ‘furou’ uma dastorres gêmeas. Nosso anti-americanismo latente logo imaginou um ataque aoimperialismo americano. Mais um pouco e nova notícia: outro avião choca-se coma outra torre. Ficamos todos atordoados, sem entender nada, corremos para afrente da televisão, e a reunião transformou-se em análise de conjunturainternacional.

Oneoliberalismo, patrocinado pelos EUA, começava a mostrar seus primeiros sinaisde esgotamento, queda e crise. Durante décadas, o mercado foi santificado,também no Brasil, o Estado tornou-se mínimo, o desemprego espalhou-se pelomundo, fome e miséria crescentes, a década perdida – anos 80 - e a décadadesperdiçada – anos 90.

11de setembro de 2011: Estou na Presidência da Republica –quem diria!- há longosoito anos e meio. O povo está nas ruas. Os estudantes protestam no Chile contraas conseqüências da ditadura e do neoliberalismo. Os jovens e as multidões semobilizam na Europa contra os governos e exigem mudanças, exigem que os jovense trabalhadores não paguem, mais uma vez, por uma crise não feita por eles, masfruto e resultado dos tempos neoliberais patrocinados pelos Estados Unidos daAmérica e demais países desenvolvidos. Os EUA, mergulhados na crise, na pobrezae no desemprego, não sabem como sair do Afeganistão e do Iraque, ondepromoveram guerras e mortes em nome da democracia. Décadas de neoliberalismolevaram à maior crise do capitalismo mundial desde 1930. A hegemonia e a ‘pax’americanas, que sustentaram ditaduras em vez da democracia e o mercadofinanceiro em vez do Estado e da sociedade no mundo inteiro, sofrem crescentequestionamento.

4décadas e muitas perguntas no ar. O que será do mundo e do planeta em criseeconômica, ambiental e de valores? Qual o papel do Brasil e da América Latina,agora em tempos de democracia e de mudanças? E os BRICS – Brasil, Rússia,Índia, China -, mais a África do Sul, hoje citados como salvadores da pátriapelos países ricos e pelo capital financeiro? E o futuro da democracia? Qualprojeto de desenvolvimento promoverá a igualdade e a justiça, preservará o meioambiente?

Acrise pode parir a mudança e o novo, um projeto de desenvolvimento e de sociedadecom participação da sociedade civil, não regulado pelo mercado financeiro,ambientalmente sustentável, recolocando no centro da vida e da economia valorescomo fraternidade, fazer coletivo, partilha e solidariedade.

Nãohá mais um único patrão no mundo, para decretar golpes e promover ditaduras,para impor a mercadoria-dinheiro e o lucro como objetivo máximo e quase únicona vida e na sociedade. O desafio está posto para militantes, intelectuais,lutadoras/es sociais, pensadoras/es e sonhadoras/es que todas e todos somos econtinuaremos a ser.

Emdezesseis de setembro de dois mil e onze.

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