Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

História em quadrinhos As Aventuras de Tintim completa 85 anos

Na história dos quadrinhos mundiais, poucos autores conseguiram atingir tão profundamente seu público leitor como o belga Georges Remi, criador da série As Aventuras de Tintim. A aventuras de seu personagem mais conhecido, o Tintim.

Quinta, 16 de Janeiro de 2014 às 11:18, por: CdB
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A aventuras de seu personagem mais conhecido, o Tintim, marcaram o inconsciente coletivo dos francófonos
Na história dos quadrinhos mundiais, poucos autores conseguiram atingir tão profundamente seu público leitor como o belga Georges Remi, criador da série As Aventuras de Tintim. A aventuras de seu personagem mais conhecido, o Tintim, marcaram o inconsciente coletivo dos francófonos - mas não somente entre eles - é algo que continua sendo objeto de estudos 30 anos depois do falecimento do autor. Literalmente, bem mais do que uma dezena de livros foi escrita sobre o tema, enfocando tanto sua significativa obra artística na vida de Tintim e na personalidade de seu criador, sob os mais diversos aspectos: seu processo de elaboração artística, sua relação com as personagens, o impacto psicológico de sua vida pessoal em sua obra, etc. Tudo isso, para dizer o mínimo, evidencia o fascínio que o personagem conseguiu despertar em seus leitores, um fascínio que parece ainda longe de terminar quando considerado o interesse que seu trabalho continua despertando no mundo inteiro. Nascido em 1907, o pequeno Georges, quando criança, recebia dos pais papel e lápis como forma de mantê-lo ocupado quando estes recebiam visitas, de modo a conseguirem um pouco de sossego daquele menino inquieto. Na infância e depois adolescente, enchia todo o espaço livre de seus cadernos de escola com figuras, desenhos, pequenas histórias que certamente mostrava para seus colegas e amigos e que depois invariavelmente acabaram perdidos. Naquela época, provavelmente nem sequer imaginava que, um dia, iria se dedicar ao desenho como profissão, transformando-se em um dos artistas mais consagrados de sua geração. Nem, tampouco, havia assumido ainda o pseudônimo Hergé, a transcrição literal das iniciais de Remi, Georges, com o qual se tornaria mundialmente conhecido. Mas foi na década de 50 é o pequeno jornalista ganhou as telas de cinema em grande estilo, quando Jean-Pierre Talbot o personifica no longa metragem Le mystère de la toison d'or, dirigido por Jean-Jacques Vierne e André Barret, ao qual se seguirá, em 1964, Tintin et les Oranges Bleues, realizado por Philippe Condroyer. Em 1959 inicia-se a produção de desenhos animados para a televisão; posteriormente, dois desenhos animados em longa metragem serão produzidos para as telas cinematográficas, Le temple du soleil (1969) e Tintin et le lac aux requins (1972). Todo esse universo de personagens dá à criação maior de Hergé um caráter híbrido, que representa talvez sua maior riqueza: ao mesmo tempo em que os desenhos tendem ao caricatural, todo o entorno das histórias é extremamente realista - principalmente a partir de Le lótus bleu -, pois o autor representa com exatidão o movimento dos corpos, peças de vestuário, aviões, automóveis, locais, etc., aos quais agrega uma história em que os elementos humorísticos se mesclam com temáticas sérias como a guerra, a escravidão, a amizade, a liberdade, a coragem, com uma magistral sutileza que apaixona leitores das mais variadas procedências. Hergé faleceu em 1983, vítima de anemia e insuficiência pulmonar. Sua obra, no entanto, continua viva e pulsante, sem qualquer nuvem que possa lhe toldar o brilho.
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