História em quadrinhos As Aventuras de Tintim completa 85 anos
Na história dos quadrinhos mundiais, poucos autores conseguiram atingir tão profundamente seu público leitor como o belga Georges Remi, criador da série As Aventuras de Tintim. A aventuras de seu personagem mais conhecido, o Tintim.
A aventuras de seu personagem mais conhecido, o Tintim, marcaram o inconsciente coletivo dos francófonos
Na história dos quadrinhos mundiais, poucos autores conseguiram atingir tão profundamente seu público leitor como o belga Georges Remi, criador da série As Aventuras de Tintim. A aventuras de seu personagem mais conhecido, o Tintim, marcaram o inconsciente coletivo dos francófonos - mas não somente entre eles - é algo que continua sendo objeto de estudos 30 anos depois do falecimento do autor.
Literalmente, bem mais do que uma dezena de livros foi escrita sobre o tema, enfocando tanto sua significativa obra artística na vida de Tintim e na personalidade de seu criador, sob os mais diversos aspectos: seu processo de elaboração artística, sua relação com as personagens, o impacto psicológico de sua vida pessoal em sua obra, etc. Tudo isso, para dizer o mínimo, evidencia o fascínio que o personagem conseguiu despertar em seus leitores, um fascínio que parece ainda longe de terminar quando considerado o interesse que seu trabalho continua despertando no mundo inteiro.
Nascido em 1907, o pequeno Georges, quando criança, recebia dos pais papel e lápis como forma de mantê-lo ocupado quando estes recebiam visitas, de modo a conseguirem um pouco de sossego daquele menino inquieto. Na infância e depois adolescente, enchia todo o espaço livre de seus cadernos de escola com figuras, desenhos, pequenas histórias que certamente mostrava para seus colegas e amigos e que depois invariavelmente acabaram perdidos. Naquela época, provavelmente nem sequer imaginava que, um dia, iria se dedicar ao desenho como profissão, transformando-se em um dos artistas mais consagrados de sua geração. Nem, tampouco, havia assumido ainda o pseudônimo Hergé, a transcrição literal das iniciais de Remi, Georges, com o qual se tornaria mundialmente conhecido.
Mas foi na década de 50 é o pequeno jornalista ganhou as telas de cinema em grande estilo, quando Jean-Pierre Talbot o personifica no longa metragem Le mystère de la toison d'or, dirigido por Jean-Jacques Vierne e André Barret, ao qual se seguirá, em 1964, Tintin et les Oranges Bleues, realizado por Philippe Condroyer. Em 1959 inicia-se a produção de desenhos animados para a televisão; posteriormente, dois desenhos animados em longa metragem serão produzidos para as telas cinematográficas, Le temple du soleil (1969) e Tintin et le lac aux requins (1972).
Todo esse universo de personagens dá à criação maior de Hergé um caráter híbrido, que representa talvez sua maior riqueza: ao mesmo tempo em que os desenhos tendem ao caricatural, todo o entorno das histórias é extremamente realista - principalmente a partir de Le lótus bleu -, pois o autor representa com exatidão o movimento dos corpos, peças de vestuário, aviões, automóveis, locais, etc., aos quais agrega uma história em que os elementos humorísticos se mesclam com temáticas sérias como a guerra, a escravidão, a amizade, a liberdade, a coragem, com uma magistral sutileza que apaixona leitores das mais variadas procedências. Hergé faleceu em 1983, vítima de anemia e insuficiência pulmonar. Sua obra, no entanto, continua viva e pulsante, sem qualquer nuvem que possa lhe toldar o brilho.
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