A história do Homo sapiens envelheceu 40 mil anos, segundo um estudo inovador dos fósseis de Kibish (Etiópia) apresentado esta semana e que também revelou diversidade morfológica entre este hominídeo há 195 mil anos.
O geólogo Ian McDougall, da Universidade Nacional da Austrália, destacou a importância desse trabalho, pois transforma os fósseis de Kibish nos mais antigos do planeta, desbancando os crânios de dois adultos e uma criança de cerca de 154 mil e 160 mil anos de antigüidade encontrados perto de Herto, aproximadamente 225 quilômetros ao nordeste de Adis-Abeba.
A comunidade científica já sabia da existência dos fósseis de Kibish, denominados Omo I e Omo II, descobertos em 1967 por um grupo de cientistas liderados por Richard Leakey, filho do antropólogo Louis Seymour Bazett Leakey (1903-1972).
Os trabalhos de Leakey e sua mulher, Mary Douglas (1913-1996), em Olduvai, uma garganta do rio Tanganica, revolucionaram a idéia da cadeia evolutiva única desenvolvida no leste da África.
Aos Leakey se devem fósseis do Homo habilis, Australopithecus boisei (1.750.000 anos), Lucy (a primeira homínida bípede de 3.600.000 anos) e Proconsul africanus (20 milhões de anos).
Em 1967, Leakey filho, que seguiu os passos de seus pais, calculou que Omo I e Omo II teriam 130 mil anos de antigüidade, um resultado controvertido pois questionava a idéia de que o homem moderno apareceu na Terra há 100 mil anos.
Quase quatro décadas depois, os trabalhos de McDougall e seus companheiros das universidades americanas de Utah e Stony Brook voltam a levantar a necessidade de revisar a teoria da cadeia evolutiva do homem.
McDougall, que se responsabilizou pela medição da idade isotópica da zona vulcânica onde foram encontrados os restos de Kibish, relatou que:
- A equipe encontrou restos que encaixavam com aqueles encontrados em 1967 (por Leakey filho), além de outras partes desconhecidas da ossada destes hominídeos.
- Confirmamos que os fósseis de Omo I e Omo II, formados respectivamente por um crânio e parte de um esqueleto semelhante ao do homem moderno e um esqueleto quase completo, têm o mesmo nível geológico e com essencialmente a mesma idade - destacou o cientista.
- A idade de 195 mil anos dos humanos modernos é muito similar às calculadas pelos estudos genéticos relacionadas com a origem do Homo sapiens. Os fósseis de Kibish indicam também que, naquela época, havia uma considerável diversidade entre os hominídeos que viviam na Etiópia - disse McDougall.
O cientista explicou que os restos dos Omos analisados, que pertencem ao mesmo nível estratigráfico, confirmam diferenças de morfologia. Por isso, concluiu que:
- Havia diversidade morfológica entre os Homo sapiens há 195 mil anos - o que não estava confirmado.
No entanto, a pesquisa da qual McDougall participou não apresentou avanços sobre a forma de vida desses antigos habitantes da Terra, dos quais se tem apenas algumas ferramentas de pedra.
John Shea e John Fleagle tentarão conseguir mais dados sobre isso e publicarão suas observações antropológicas sobre os homens de Kibish, disse McDougall.
As pesquisas da equipe de cientistas australianos e americanos foram financiadas pela Fundação Nacional de Ciência, a Fundação L.S.B. Leakey Foundation, a Sociedade Nacional Geográfica e a Universidade Nacional Australiana.
História do Homo sapiens envelhece 40 mil anos
Domingo, 20 de Fevereiro de 2005 às 08:57, por: CdB