Rio de Janeiro, 23 de Agosto de 2026

Hip hop combativo recebe elogio de Chuck D

Terça, 11 de Novembro de 2003 às 22:33, por: CdB

A verve crítica e a análise sociológica de Chuck D continua a mesma. O líder do 'Public Enemy', que passou pelo Brasil para apresentações no Rio e São Paulo, não usa meias palavras ao analisar a situação atual do hip hop.
 
O segmento descerebrado do gênero alcançou as paradas de sucesso e confirma-se como tendência de moda e comportamento. Ainda que hajam grupos como o Outkast no topo, os tiros, a postura machista e a ostentação têm dado o tom do mercadão.

- São playboys - disse ele, um dos principais representantes da cultura de rua, a respeito dos rappers no mainstream.

Chuck D estabelece uma breve linha do tempo.
 
- Toda a cultura hip hop surgiu nos anos 70. Os anos 80 são marcados pelas gravações dos primeiros dos primeiros álbuns, videoclipes e da difusão do estilo pelo mundo. A indústria se fortaleceu nos anos 90 e agora temos o quadro do qual estamos falando. É uma decorrência - disse.

O rapper está mais interessado na produção subterrânea. Para ele, a cena underground apresenta mais conteúdo.
 
- Há nesses grupos uma atenção à sonoridade, mas principalmente ao discurso. Prefiro um tipo de hip hop que atenda as carências de informação das periferias urbanas. Uma música que fale para o povo - falou.

Chuck D, que já definiu o hip hop como a CNN negra, é um aficionado por informação e tecnologia. Designer de formação, o rapper foi um dos primeiros a explorar as possibilidades da Internet. Seu site www.publicenemy.com congrega rádio on-line, selo musical e fórum de discussão. Está no ar desde meados dos anos 90 e já protagonizou uma batalha contra a antiga gravadora do grupo ao disponibilizar músicas inéditas pela rede.

- Com a Internet eu posso me comunicar com o mundo inteiro, e isso é uma coisa muito importante. Posso mandar a indústria do disco às favas, lançar músicas e ter o retorno imediato. É incrível falar com a África, Austrália e Brasil - contou.

Além das apresentações com o 'Public Enemy', Chuck D ministrou uma palestra durante o festival carioca de hip hop Hutús e fez uma aparição surpresa no Indie Hip Hop, evento do Sesc Santo André que teve o grupo californiano Blackalicius como principal atração.
 
- Estar aqui é um aprendizado, uma aula da história. O Brasil tem uma população negra de oito milhões pessoas. Sei que existe discriminação racial, mas há exemplos de convivência aqui que deveriam servir de espelho para outras sociedades - disse Chuck, que foi apresentado ao melhor da produção local de beats e rimas.

- O País tem ótimos artistas. Racionais MCs, MV Bill, Rappin' Hood e B Negão. O B Negão [que também integra o Planet Hemp e acaba de lançar o primeiro disco solo, 'Enxugando o Gelo', nas bancas de revistas eu já conhecia. Nos encontramos recentemente em um festival em Portugal e eu o convidei para cantar Fight the Power com a gente. Quando falei que voltaria ao Brasil, ele não acreditou - divertiu-se.

O 'Public Enem' esteve por aqui em 1991. Chuck D é a alma, o corpo e a mente pensante do 'Public Enemy'. Isso fica evidente nas apresentações ao vivo do grupo.
 
- Não me importam os discos, os videoclipes e ou os DVDs. Gosto mesmo é de me apresentar ao vivo. Estou sempre pronto para subir ao palco - disse o rapper como se estivesse em 1982, época os primeiros shows do grupo.

O parceiro e fundador Flavor Flav, no entanto, começa a ter os anos de hedonismo rapper e estripulias químicas cobrados em praça pública. Ele continua sendo o contraponto divertido de Chuck D - que é surpreendentemente bem-humorado - , mas é uma sombra aflita do que foi no passado.

O famoso grito 'Yeaaah, Boooooy !' é bradado com dificuldade e alongado com a ajuda de efeitos da mesa de som. Flav também lança mão do recurso da dublagem. Dubla a si mesmo. É cada vez mais o personagem que traz os enormes relógios parados no pescoço - no ideário do grupo, a imagem é representativa do não d

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