A confirmação do senador Barack Obama como candidato democrata à Casa Branca levantou, nos minutos seguintes ao discurso no qual ele assumiu o posto de adversário do republicano John McCain, na madrugada desta quarta-feira, a possibilidade de sua ex-rival somar forças com o primeiro negro a chegar tão longe, na busca pela presidência do país mais poderoso do mundo, econômica e militarmente. Hillary Clinton, assim, completaria a "chapa dos sonhos" dos eleitores democratas e seria, da mesma forma, a primeira mulher a disputar um cargo eletivo dessa magnitude. Hillary se diz simpática à idéia, e seus eleitores já começaram a trabalhar em prol da possibilidade.
- Eu gostaria de ver isso - disse a jornalistas a senadora democrata Dianne Feinstein, uma das supereleitoras que apoiaram a ex-primeira-dama.
O assunto, por enquanto, é tabu no comitê de Obama. Coordenador estragégico da campanha, David Axelrod, em conversa com jornalistas, avalia que ainda "é cedo para se falar nisso". Mas não perdeu a chance de elogiar a "pessoa incrivelmente formidável" da senadora.
Em nível político, a composição Obama-Hillary se mostraria perfeita para os eleitores proletários brancos, mulheres e hispânicos (grupos nos quais, segundo as pesquisas, muita gente não votaria em Obama de jeito nenhum). A presença da senhora Clinton na chapa seria um forte argumento para a unificação do Partido Democrata, que chega dividido praticamente ao meio nesse final de campanha. E o antídoto mais forte contra o republicano John McCain, nas eleições de novembro.
Na opinião do estrategista político Doug Schoen, que trabalhou na Casa Branca durante o governo de Bill Clinton, caso não aconteça a união entre os rivais, ainda que sem Hillary na chapa como vice-presidente, os democratas terão dificuldades em novembro.
- Ela tem uma reivindicação substancial sobre a indicação a vice-presidente. As pesquisas que vi mostram que, com ela na chapa, ela garante a vitória em Estados cujo voto oscila habitualmente entre republicanos e democratas - afirmou Schoen.
O acordo, no entanto, parece agora ser apenas uma questão de tempo. Pouco tempo. Ainda na véspera, em discurso para uma platéia de eleitores, em Nova York, Hillary demonstrou sua inclinação a aceitar o papel de coadjuvante na disputa pela antiga residência, em Washington. Ao citar o seu poder de fogo, mensurado nos quase 18 milhões de votos que obteve nas primárias, ela se credencia ao palanque de uma das eleições mais emblemáticas já disputadas nos EUA.