Os dois pré-candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos, a senadora Hillary Clinton e o senador Barack Obama, travaram discussões a respeito de seus programas de saúde e sobre suas visões relativas ao Nafta, o tratado de livre comércio entre Estados Unidos, Canadá e México, durante um debate realizado no Estado de Ohio, nesta terça-feira, e transmitido ao vivo pela rede MSNBC.
O debate foi o último a ser realizado entre os dois candidatos antes das primárias dos Estados de Ohio, Texas, Rhode Island e Vermont, no próximo dia 4 de março. A despeito de terem trocado, por vezes, palavras mais duras, o debate acabou não sendo o ''duelo final'' esperado por muitos. O começo da transmissão teve momentos tensos mas, ao final, os dois fecharam o debate de forma amistosa, com elogios mútuos.
O debate teve início com a exibição de um clipe que mostrava o último debate entre os dois, no qual Hillary se dizia orgulhosa de estar ao lado de Obama. Em seguida, a emissora mostrou uma aparição da senadora feita dias depois, no qual demonstrava irritação e concluía dizendo:
- Me encontre em Ohio, vamos ter um debate.
Bangue-bangue
A convocação de Hillary, que remeteu a um velho western, se referiu a críticas feitas através de um email enviado pela campanha de Obama a seus militantes, sugerindo que o seu programa de saúde obrigaria contribuintes americanos a pagar uma taxa, quer eles pudessem pagar por ela ou não.
- O que eu acho lamentavel é que é como se as companhias de seguro e os republicanos tivessem escrito o texto - afirmou Hillary.
Nas últimas semanas, as campanhas de Hillary e Obama promoveram algumas das mais pesadas trocas de acusações que já mantiveram desde o início da corrida presidencial. Tanto Hillary quanto Obama tiveram de responder a perguntas relativas àquela que foi a polêmica da semana, a divulgação de uma foto de 2006 que mostrava o senador Obama em trajes típicos somalis e trajando um turbante. A campanha do senador acusou os ativistas de Hillary de estarem por trás do vazamento do email. Hillary disse não ter qualquer conhecimento sobre o vazamento ter se dado por seus militantes.
- Que eu saiba, não. Não é o tipo de comportamento que eu aprovo ou espero de alguém da minha campanha - afirmou Hillary.
Obama, quer por estar seguro de um bom resultado no próximo dia 4, quer por altivez ou mesmo por querer evitar o tema, limitou-se a responder:
- Eu acredito na palavra da senadora a respeito da foto, então coloquemos isso de lado.
Bush
Ao responder à comparação feita por Hillary, entre a inexperiência de Obama e de Bush em política externa, o senador afirmou com veemência:
- No julgamento que importa, sobre a guerra do Iraque, a minha posição era certa e a de Hillary, não. E me comparar com Bush... Quem estava pronta no primeiro dia para dar votos para Bush foi Hillary.
A senadora disse que não votaria de novo a favor da guerra, e lamentou ter sido desinformada por Bush. Mas reagiu:
- Obama ameaçou bombardear o Paquistão, o que não é nada sábio! Ele fala na oposição à guerra do Iraque, mas na hora de votar apoiou o orçamento.
Segundo suas palavras, Obama não pretende bombardear o Paquistão. Aproveitou para afirmar que será apenas duro com o país e que concentrará seus esforços contra a Al-Qaeda.
Nafta
Pouco depois, eles passaram a uma troca de acusações a respeito do Nafta, o tratado de livre comércio entre Estados Unidos, Canadá e México. Hillary disse ter sido sempre uma crítica do Nafta. O tratado foi uma das prioridades do governo do marido da senadora, o ex-presidente americano Bill Clinton. Obama afirmou que Hillary nem sempre criticou o Nafta e lembrou que ela defendeu o tratado como sendo positivo durante sua campanha para o Senado pelo Estado de Nova York. Obama e Hillary afirmaram que o Nafta precisa ser renegociado.
O tratado é um tema delicado para