Um dia depois de o Irã submeter à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) o acordo com Brasil e Turquia, a possibilidade de que esta medida livre o país de novas sanções parece não ter se tornado mais próxima diante de declarações da secretária de Estado americana Hillary Clinton. Em Pequim, Hillary afirmou, nesta terça-feira, que teve conversas produtivas com a China sobre o detalhamento das punições propostas na Organização das Nações Unidas contra o programa nuclear iraniano.
A secretária também condenou o acordo assinado em Teerã, afirmando que é uma "manobra clara para evitar a ação do Conselho de Segurança" da ONU. Ela disse que discutiu as deficiências do plano com seus equivalentes chineses. O embaixador iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, disse à BBC que o acordo é uma "concessão máxima" .
"Nós tivemos discussões produtivas sobre complementar os anexos e o procedimento do Conselho de Segurança", disse Hillary, após dois dias de reuniões de alto nível com autoridades chinesas. "Nós discutimos durante algum tempo as deficiências da recente proposta apresentada pelo Irã. Há diversas deficiências nela que não respondem às preocupações da comunidade internacional".
Segundo a secretária de Estado americana, um projeto de resolução com sanções contra o Irã já foi aprovado pelos membros permanentes do Conselho de Segurança (EUA, China, Rússia, Reino Unido e França), mas o chamado grupo dos P5+1 (os cinco países mais a Alemanha, que participa das discussões) não teria concordado com os anexos que vão listar empresas e pessoas que poderão enfrentar punições específicas.