O neozelandês Edmund Hillary, a primeira pessoa a alcançar o pico do Everest, condenou a atitude dos cerca de 40 montanhistas que negaram ajuda a um britânico que morreu por falta de oxigênio. Ele ainda culpou a obsessão de pisar a todo custo no topo do mundo que marca hoje as expedições.
- Minha expedição nunca teria deixado um homem morrer sob uma rocha. Isso nunca ocorreria, seria uma catástrofe - disse Hillary ao jornal New Zealand Herald.
Hillary se referia a David Sharp, o montanhista que morreu na semana passada ao descer do Everest, devido a um problema em seu equipamento de oxigênio.
Segundo a imprensa local, cerca de 40 montanhistas passaram por Sharp quando ele ainda estava vivo. Mas, na pressa de conquistar a montanha, nenhum deles ofereceu ajuda.
Entre os montanhistas que testemunharam os problemas de Sharp estava o neozelandês Mark Inglis, o primeiro homem a subir o Everest com duas pernas artificiais. Ele reconheceu que viu Sharp, mas que as condições o impediram de prestar assistência.
A resposta não convenceu Hillary, 87 anos. Ele disse que a razão da atitude é a vontade dos montanhistas de acrescentar o Everest a seu currículo, devido a interesses comerciais.
- Eles só querem subir ao pico. Hoje, pouco importa que alguém esteja em perigo. Portanto, não me impressiona alguém morrer debaixo de uma rocha - disse o alpinista.
De acordo com um estudo da Universidade de Otago, publicado pelo New Zealand Herald, David Sharp poderia ter sobrevivido se tivesse sido ajudado a tempo com um tanque de oxigênio.