Pré-candidata norte-americana à Casa Branca, Hillary Clinton desmentiu o boato que circula nos meios políticos dos EUA de que se Barack Obama vencer as primárias democratas, ela poderá ser candidata a vice do senador por Illinois nas eleições presidenciais de novembro.
- É muito cedo para começar a pensar em potenciais companheiros de chapa - disfarçou a candidata, em conversa com estudantes na Universidade de Northridge, Califórnia, na noite desta quinta-feira.
Questionada se pensava em Obama como seu possível vice-presidente, a senadora afirmou ser "supersticiosa" e não poder "pensar tão adiante no tempo". Com um tom moderado, Hillary Clinton, que já chamou Obama de "inexperiente", afirmou que o senador é "um homem extraordinário que tem muito a dar aos Estados Unidos".
- Espero que, independente de como terminar tudo isto, ele seja uma figura importante na política dos Estados Unidos por muitos anos - elogiou.
Com sua vitória no caucus de Iowa e seu bom desempenho nas primárias de New Hampshire, o senador democrata diminuiu os argumentos daqueles que pensam que sua cor é uma desvantagem insuperável para as eleições americanas. Jeito jovem e sorridente na capa da Newsweek, em circulação, Obama, segundo o editorial, "abre um novo capítulo na história de um país onde o problema racial foi vergonhosamente chamado de 'dilema americano'".
Obama, nascido no Havaí de pai queniano e mãe branca do Kansas, viveu parte de sua infância na Indonésia, e se apresenta como "candidato de todos".
- Somos uma nação, somos um povo, e o momento de mudança chegou - disse em seus discursos.
Obama não é o primeiro político negro a se lançar para a disputa pela presidência. Mas pertence a uma nova geração que não abre mão da luta pelos direitos cívicos e que se beneficiou de seus frutos.
Formado pelas universidades de Columbia e Harvard (onde foi o primeiro negro a dirigir a famosa Harvard Law Review), é o único membro negro no Senado.
Alguns o descrevem como um 'Tiger Woods' da política, e sonham com uma "era pós-racial" nos Estados Unidos.
As últimas trocas de farpas da campanha eleitoral mostram, porém, que o tema racial continua sendo um terreno minado.
Pré-candidata democrata e ex-primera-dama, Hillary Clinton ofendeu parte da comunidade negra ao dizer que "o sonho do doutor (Martin Luther) King começou a se realizar quando o presidente Lyndon Johnson ditou a lei sobre direitos cívicos em 1964", e que se seria necessário "um presidente para fazê-lo".
- A senhora Clinton conseguiu insultar um líder negro respeitado por sua comunidade em sua tentativa desesperada de insultar um líder negro que ganha terreno - considerou uma indignada editorialista negra do Washington Post.