Hillary busca melhorar relações com a Turquia
Por Andrew Quinn
ISTAMBUL (Reuters) - A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton disse no sábado que a Turquia pode servir como modelo de democracia para o Oriente Médio, mas alertou Ankara quanto aos seus esforços de limitar a liberdade de imprensa e de restringir a liberdade de expressão.
Encerrando uma visita de dois dias à Turquia para tentar melhorar as relações com o país, depois de um período de tensão sobre o Irã e outras questões, Hillary disse que a Turquia e os EUA eram aliados naturais em uma série de desafios globais.
"As pessoas no Oriente Médio e na África do Norte estão procurando aprender com a experiência da Turquia," ela disse durante um encontro com o ministro de relações exteriores da Turquia Ahmet Davutoglu, dizendo que era importante proteger tanto a liberdade de expressão, quanto o direito das minorias.
Mais cedo, durante uma entrevista a um grupo de jovens, transmitida pela TV, Clinton disse que estava preocupada com a repressão, que também já havia provocado uma repreensão do Conselho da Europa.
Diversos jornalistas turcos foram presos esse ano, acusados de participar de uma suposta conspiração para derrubar o governo.
O órgão de fiscalização dos meios de comunicação (Media watchdogs) disse que cerca de 60 jornalistas estão presos, muitos deles trabalham para publicações pró-Curdos ou publicações de esquerda. O comissário de direitos humanos do Conselho da Europa disse em um relatório essa semana que a Turquia deve tomar medidas urgentes para resolver uma situação que ele chamou de "particularmente preocupante."
As autoridades turcas dizem que esses jornalistas normalmente estão presos por outras atividades ilegais e não pelo que escreveram. Eles argumentam que o governo aumentou a liberdade de imprensa desde que assumiu o poder.
Hillary manifestou o forte apoio dos EUA na sua luta contra os militantes do partido dos trabalhadores do Curdistão - o PKK, cujos combatentes mataram 13 soldados turcos na sexta-feira, no pior ataque desde fevereiro.
Mas ela disse que a Turquia deve ampliar a sua participação política, para que os "Curdos turcos possam se sentir totalmente parte da Turquia, ao mesmo tempo em que acreditam que poderão manter os aspectos da sua identidade curda, que são importantes para eles."
As promessas do primeiro-ministro Tayyip Erdogan, que ganhou um terceiro mandato no mês passado, de reformar a constituição, foram uma oportunidade para abordar essas preocupações e para que a Turquia avance na sua tentativa de ingressar na UE,que conta com o apoio dos EUA, e que estava paralisada há muito tempo, disse.
Reuters