A estatal portuguesa Energias do Brasil quer atingir os 2 mil megawatts em geração dentro de dois a cinco anos, dependendo do porte dos projetos, informou o vice-presidente para geração da companhia, Custódio Miguens. A empresa duplicou sua capacidade instalada no país, de 452 megawatts, com a inauguração da usina hidrelétrica de Peixe Angical, nesta segunda-feira, no Tocantins. Uma das opções é entrar na geração de energia por queima de bagaço de cana ou em usinas térmicas, sendo que esta última dependerá da garantia de insumos para planejar os investimentos.
Miguens afirmou, em conversa com jornalistas, que independentemente da fonte de energia que o governo brasileiro escolha para sustentar o crescimento da economia, a empresa poderá investir cerca de US$ 1,5 bilhão para a alcançar a meta de duplicar os atuais 1.043 megawatts. Falta apenas escolher de que forma fará isso. A hidrelétrica de Peixe Angical é o principal projeto da subsidiária da portuguesa EDP no país, que terá energia suficiente para abastecer uma cidade de 4 milhões de habitantes e cuja barragem consumiu onze Maracanãs em cimento.
- Estamos analisando projetos de pequenas e médias dimensões, com ou sem parcerias, novos ou por meio de aquisições - informou Miguens.
A estratégia do grupo é buscar o controle acionário dos empreendimentos, mas Miguens não descarta ser minoritário se isso for um bom negócio, até mesmo a compra de participação em usinas já licitadas e que não saíram do papel. Os recursos a serem aplicados deverão ser divididos em 60% de financiamento e 40% de capital próprio, e poderão ser reduzidos se a opção for por parcerias, destacou.
Ele ressaltou que a decisão de investimentos da Energias do Brasil vai depender apenas do caminho que o governo brasileiro escolher, por hidrelétricas ou térmicas, e que existe também a disposição de entrar com força na geração de energia por meio da queima do bagaço de cana, que poderá chegar a 20% do potencial energético a ser duplicado do grupo. Outro projeto é construir pelo menos duas pequenas hidrelétricas por ano, conhecidas como PCHs, que irão se juntar ao parque de 15 PCHs já controladas pela Energias do Brasil no Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. Outra alternativa seria a construção de usinas térmicas, mas se houver garantia de fornecimento de gás natural ou carvão.
- Se a aposta do Brasil for gás natural produzido no Brasil ou na Bolívia, ou na importação de Gás Natural Liquefeito (GNL), se tivermos certeza que esse é o caminho do governo, poderemos ir por esse caminho - afirmou.